


A Guerra Antes da GuerraThe War Before the War
Rússia, NATO e a Era da Confrontação Híbrida na Europa
Russia, NATO and the Era of Hybrid Confrontation in Europe
Disponível em 2 línguas
- Páginas
- 762 páginas
- ISBN
- ISBN 979-8176060102
- Primeira publicação
- Formatos
- Kindle e capa mole
- Páginas
- 752 páginas
- ISBN
- ISBN 979-8176188561
- Publicação
- Formatos
- Kindle e capa mole
Excerto
Este livro nasceu de uma pergunta que durante muito tempo não consegui responder de modo que me satisfizesse, e que me foi feita, em versões diferentes, por pessoas sem qualquer relação profissional com a defesa: estamos, ou não estamos, em guerra? Quem a formula desconfia da própria pergunta. Suspeita que é exagerada e suspeita, ao mesmo tempo, que é tardia. Essa hesitação não é ignorância. É uma percepção correcta de que a linguagem disponível deixou de servir. Temos palavras para a paz e temos palavras para a guerra, e aquilo que a Europa atravessa desde 2014, com intensidade crescente depois de Fevereiro de 2022, não cabe confortavelmente em nenhuma delas.
— A Guerra Antes da Guerra
Nota editorial
Fonte: descrição editorial da edição em português (Amazon).
Sobre o livro
Texto publicado com a edição em português (Amazon). O texto continua a partir do excerto.
A resposta honesta é que a pergunta está mal construída, e que a sua má construção é, ela própria, um dos resultados que o adversário procura. Enquanto a discussão pública se organizar em torno de uma alternativa binária, cada acontecimento concreto — um cabo cortado, um aeroporto encerrado por avistamento de aparelhos não identificados, uma campanha coordenada nas redes sociais durante uma eleição, um incêndio num entreposto logístico — será classificado por defeito na categoria da paz, porque não se parece com uma guerra. E a acumulação de acontecimentos que individualmente não se parecem com uma guerra produz, ao fim de alguns anos, uma situação que também já não se parece com a paz. Foi para descrever com rigor esse intervalo, e não para o dramatizar, que decidi escrever.
Escrevi-o, em segundo lugar, porque me convenci de que existe em Portugal um desnível perigoso entre a exposição real do país e a atenção pública que essa exposição recebe. A posição atlântica portuguesa, a extensão da zona económica exclusiva, a presença de estações de amarração de sistemas de cabos submarinos, a dependência energética e a função de charneira entre o Atlântico Norte e o Mediterrâneo conferem a Portugal um perfil de exposição que não é o de um Estado periférico distraído do problema europeu. É o de um Estado situado num dos pontos de convergência da infra-estrutura de que depende o funcionamento quotidiano do continente. O debate português sobre defesa, quando existe, organiza-se quase sempre em torno de percentagens de despesa, e muito raramente em torno da pergunta anterior: despesa para proteger o quê, de que ameaça, com que prioridade e em que prazo.[1]
Existe uma terceira razão, e é a que me parece hoje mais forte. A confrontação híbrida é, antes de ser um problema de meios, um problema de compreensão. Uma operação de sabotagem produz um efeito material limitado e um efeito político que pode ser muito grande; a diferença entre os dois é determinada pela forma como a sociedade visada interpreta o que lhe aconteceu. Uma sociedade que reconhece o padrão, que sabe distinguir o acidente frequente do acto raro, que não confunde avaria com ataque nem ataque com avaria, e que não converte cada incidente em pânico nem em indiferença, é substancialmente mais difícil de coagir do que uma sociedade com os mesmos recursos materiais e sem essa capacidade interpretativa. Escrevi este livro na convicção de que a leitura atenta é, neste domínio preciso, uma forma modesta mas real de defesa.
Há ainda uma razão negativa, que registo porque determinou a forma do resultado. Ao reunir a bibliografia disponível, encontrei dois corpos de texto igualmente insatisfatórios. De um lado, a literatura institucional, rigorosa nas fontes e quase sempre ilegível para quem não pertence ao meio, redigida numa linguagem de compromisso que evita conclusões. Do outro, a literatura de alarme, legível, rápida, indiferente à distinção entre o que está documentado e o que é plausível, e sistematicamente incapaz de reconhecer que a maior parte dos cabos submarinos que falham no mundo falha por causas acidentais bem conhecidas.[2] O espaço entre os dois estava vazio. Este livro procura ocupá-lo: prosa legível com disciplina de prova....
Índice de edições
Edição em português:
A Guerra Antes da Guerra
762 páginasKindle e capa mole
Edição em inglês:
The War Before the War
752 páginasKindle e capa mole
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Ficha técnica
- Género
- Ensaio
- Eixo da obra
- Estratégia e Geopolítica
- Primeira publicação
- Páginas
- 762 (edição em português)
- Formatos
- E-book Kindle · Livro impresso (capa mole)
- Línguas
- 2 — português e inglês
- ISBN
- 979-8176060102




