Saltar para o conteúdo
Capa do livro «Circo dos Fachos»

Circo dos Fachos

Dez Poemas em Prosa & Sessenta Sonetos

Páginas
119 páginas
ISBN
ISBN 979-8194436033
Primeira publicação
Formatos
Kindle e capa mole

Sobre o livro

Texto publicado com a edição em português (Amazon).

São fachos que querem outra vez
os tachos que hão de perder de vez
quando a malta lhes chegar bem a roupa ao pelo
quando Abril voltar.
— GAC, Vozes na Luta

Este livro nasce do espanto e da indignação. Do espanto perante a roda que nunca se cansa de girar, trazendo do fundo do tempo as mesmas máscaras vestidas de gente nova; e da indignação por ver, à beira da pista, multidões a correr sob a poeira que a carroça enferrujada faz subir das pedras antigas. Os fachos — chamemos-lhes assim, sem rodeios, como lhes chamou o povo no canto duro do GAC — não são personagens de circo apenas: são o circo todo, com a sua estátua de trapos no centro e a sua assistência seleccionada de damas e devotos. Contra eles se ergueram os versos antigos de Ary, de Manuel Alegre, de José Gomes Ferreira, de Sophia, de Manuel da Fonseca; e contra eles se erguem ainda, hoje, os versos modestos que aqui se oferecem. Dez poemas em prosa abrem a porta da praça. Sessenta sonetos, em decassílabos heróicos, atravessam-na em seis ciclos: a carroça do medo, os quatro demónios, as máscaras e os capachos, a memória de Abril, a resistência do povo e a aurora que há de voltar. Não há aqui profecia: há apenas o gesto antigo de quem se recusa a bater palmas ao espectáculo do ódio.

- Hermínio Cerqueira . Sintra 2026
... OLHAI O CIRCO

A poeira sobe da pista quando a carroça enferrujada irrompe na praça antiga. Trazem-na bois de vidro, mas dentro arde uma caldeira de mentiras. O fumo tem nome: Medo. O ferro tem nome: Histeria. O bronze rachado tem nome: Divisão. E nos rebites soltos sussurra a quarta peça — Mentiras, sempre Mentiras, mãe e filha de si mesmas, parindo-se em ciclo perfeito como as serpentes que mordem a própria cauda.

Saltam para o estrado três bonecos vestidos de gente. Sorriem como espelhos rachados. Acenam com mãos compradas em saldo. Por baixo do verniz, vê-se a madeira podre. Por baixo da madeira, vê-se o carcomido. E por baixo de tudo um vazio mineral, sem fundo, onde o eco repete a velha ordem do mando: obedece, cala-te, agradece.

Olhai o circo. Olhai-o bem. Não é a primeira vez que entra em cena, e talvez não seja a última. Mas hoje, à beira da pista, há um menino que não bate palmas. Hoje, na poeira, há uma mulher que não chora. Hoje, no fundo da praça, há um velho que se lembra de Abril — e basta lembrar para a carroça começar, pouco a pouco, a desfazer-se em ferro velho e em vergonha.

...

Índice de edições

Uma linha por edição, na língua em que foi publicada. A loja Amazon escolhe-se uma vez e vale para todas.

Na Amazon

Edições de editora

Vendem-se na loja da própria editora e, quando indicado, noutras livrarias — não na Amazon.

  • Nas lojas Amazon, cada ligação usa o código da própria edição (ASIN); a disponibilidade em cada país é gerida pela Amazon.
  • Em Portugal, compre na Amazon Espanha: não existe loja Amazon portuguesa.
  • Nas edições de editora sem página própria confirmada, a ligação abre a loja do autor na editora.
Ver todas as edições e lojas

Ficha técnica

Género
Poesia
Primeira publicação
Páginas
119 (edição em português)
Formatos
E-book · Livro impresso (capa mole)
Línguas
1 — português
ISBN
979-8194436033

Também poderá interessar-lhe

Ver todos os livros