Levo à Cena a Peça de Teatro : “O CIRCO DOS FACHOS” , Edição integral + libreto · três actos
Fui menino num país onde se aprendia a baixar a voz antes de aprender a ler. Havia um mapa na parede da escola, um retrato por cima do quadro e uma regra que ninguém escrevia porque toda a gente sabia: não se pergunta. Depois abriu-se uma janela, em Abril, e eu estava lá, e vi gente adulta a rir na rua sem olhar para trás. Nunca mais me esqueci daquele riso: é de lá que vem o livro, e é de lá que vem esta peça.
Primeiro escrevi os poemas. Dizem o que dói e dizem-no de frente, e têm essa honestidade e essa limitação: quem concorda comove-se, quem não concorda fecha o livro.
Passager med berättande prosa ur andra böcker, citerade ordagrant.
Lembro-me do dia com precisão de um relógio quebrado que ainda marca a hora exacta duas vezes por dia. Era um sábado de primavera. A luz entrava pelas janelas com aquela qualidade que os pintores chamam de "ouro líquido". Eu tinha conquistado aquilo que supunha que me tornaria completo: uma carreira respeitável, um apartamento agradável, relacionamentos que fingiam estar bem. E ainda assim, sentava-me nessa sala inundada de ouro e sentia um vazio tão profundo que parecia ter densidade física.