


O Caminho ContinuaThe Journey Continues, Volume 2
O Dia em Que Tudo Parou, Volume 2
Volume II of The Day Everything Stopped
Disponível em 2 línguas
«Não somos donos do vento, mas somos responsáveis pela forma como orientamos a vela.»
- Páginas
- 500 páginas
- ISBN
- ISBN 979-8180442956
- Primeira publicação
- Formatos
- Kindle, capa mole e capa dura
- Páginas
- 494 páginas
- ISBN
- ISBN 979-8186710059
- Publicação
- Formatos
- Kindle e capa mole
Excerto
Há uma hora estranha, ao fim da subida, em que o caminhante chega ao cume e descobre que o cume não era o fim. Imaginara-o como um lugar de chegada, uma varanda definitiva sobre o mundo, e durante muito tempo caminhou apenas para lá chegar. Mas eis que, ao pisar o ponto mais alto, vê outra coisa: o horizonte recuou, abriram-se vales que não conhecia, e a senda, longe de terminar, desce do outro lado e continua. O cume não era uma porta fechada. Era uma soleira.
Assim termina o primeiro volume desta travessia, e assim começa o segundo. No livro anterior, percorremos juntos o terreno difícil.
— O Caminho Continua — Volume 2
Nota editorial
Fonte: descrição editorial da edição em português (Amazon).
Sobre o livro
Texto publicado com a edição em português (Amazon). O texto continua a partir do excerto.
Falámos do dia em que tudo parou — esse instante em que o chão familiar se abre debaixo dos pés e somos obrigados a olhar de frente aquilo que sempre adiámos: a impermanência de tudo o que amamos, a presença discreta do sofrimento, o medo que se esconde por baixo das nossas pressas. Aprendemos a não fugir. Aprendemos, devagar, a sentar-nos ao lado da nossa própria dor com a ternura que dispensaríamos a um amigo, a praticar essa bondade para connosco que os antigos chamavam maitri. Olhámos a vacuidade no rosto e descobrimos que ela não era um abismo, mas um espaço — o espaço onde tudo respira e nada se prende. E, por fim, vimos como da compreensão nasce naturalmente a compaixão, e como a compaixão, para ser verdadeira, tem de descer das alturas da ideia e tornar-se gesto, mão estendida, presença.
Tudo isso foi o trabalho da subida. Foi necessário derrubar ilusões, soltar pesos, atravessar a noite. Mas a queda das ilusões não é o destino — é apenas a condição. Quando o que era falso cai, o que é verdadeiro fica disponível. E o que fica, depois de tanta limpeza, é uma pergunta luminosa e quotidiana: como viver, agora? Não como sobreviver, não como suportar, mas como viver em pé, de olhos abertos, com leveza e com raiz. É a essa pergunta que este segundo volume se dedica.
Porque há uma arte de viver que não se aprende nos dias fáceis. Aprende-se depois — depois de a tempestade ter passado e nos ter ensinado o que era essencial. É a arte de habitar a manhã sem exigir que ela seja perfeita, de beber o café sem pressa de o terminar, de olhar uma árvore como se fosse a primeira vez e, ao mesmo tempo, como se a conhecêssemos desde sempre. É a sabedoria do banal, a santidade escondida do gesto repetido. Quem atravessou o sofrimento e não endureceu volta para o mundo com outros olhos: vê que o extraordinário estava, o tempo todo, dissolvido no ordinário, como o sal na água do mar.
Este volume abre, por isso, o horizonte. Falaremos de liberdade interior — essa que ninguém nos pode dar nem tirar, porque não depende das circunstâncias mas da relação que estabelecemos com elas. Falaremos de reconciliação: com o passado que não se muda, com as pessoas que não foram o que esperávamos, connosco mesmos e com as nossas imperfeições, e com a natureza, de quem nos afastámos e a quem pertencemos. Falaremos da marcha — porque a vida realizada não é um estado em que se chega e se permanece, mas um andar fiel, um pôr de um pé à frente do outro mesmo quando o caminho sobe, mesmo quando a paisagem se repete, mesmo quando ninguém nos vê caminhar.
Quero, no entanto, ser honesto contigo desde a primeira página, leitor, leitora. Não trago receitas. Desconfia de quem promete sete passos para a felicidade, de quem desenha o teu destino numa fórmula que serve para todos. A vida não cabe em fórmulas, e a felicidade não é um produto que se monte seguindo instruções. Cada ser humano é, neste sentido profundo, o artífice do seu próprio caminho. As tradições de sabedoria — o budismo que tantas vezes nos guiou, a filosofia ocidental, a poesia, a paciente escuta da ciência sobre a mente — não são mapas que substituem a viagem. São lanternas. Iluminam um trecho do chão à tua frente; o passo, esse, és sempre tu que o dás..
Índice de edições
Edição em português:
O Caminho Continua
500 páginasKindle, capa mole e capa dura
Edição em inglês:
The Journey Continues
494 páginasKindle e capa mole
- Nas lojas Amazon, cada ligação usa o código da própria edição (ASIN); a disponibilidade em cada país é gerida pela Amazon.
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Leitura crítica — «A Obra Comentada» (2026)
O segundo volume, O Caminho Continua, assume-se como «ensaio meditativo em prosa poética» e abre com uma das mais felizes imagens do autor: o caminhante que chega ao cume e descobre que «o cume não era uma porta fechada. Era uma soleira.» Se o primeiro tomo foi a subida — derrubar ilusões, sentar-se ao lado da própria dor —, o segundo pergunta «como viver, agora?» e responde com uma arte do quotidiano: liberdade interior, reconciliação com o passado, a «sabedoria do banal». A novidade formal é dupla. Cada capítulo abre agora com uma cena narrativa em terceira pessoa — o homem que, numa madrugada de neblina, pousa o telemóvel e descobre «a escolha de escolher» — antes de passar à meditação; e o diálogo alarga-se do budismo à filosofia ocidental: Viktor Frankl e o espaço entre o estímulo e a resposta, Sartre e a condenação à liberdade, Kierkegaard e o salto. A síntese é dada numa frase de timbre marinheiro que qualquer leitor da obra estratégica do autor reconhecerá: «Não somos donos do vento, mas somos responsáveis pela forma como orientamos a vela.»
No conjunto da obra, este díptico é a pedra angular. Fornece o vocabulário (o silêncio, a presença, a impermanência), o mito pessoal (o dia da paragem) e, sobretudo, a ética: a responsabilidade como primeira escolha, a resposta contra a reacção. É impossível não ler aqui a raiz da tese XVIII do Manifesto — o estratega que aprendeu com Frankl que a última liberdade é a atitude interior é o mesmo que recusa reduzir a estratégia a cálculo. Entre os dois volumes, a passagem do ensaio à prosa poética anuncia já a deriva formal de todo o eixo: do argumento para a imagem, da tese para a soleira.
Citações do livro
«o cume não era uma porta fechada. Era uma soleira.»
Outras expressões do livro citadas
«ensaio meditativo em prosa poética»«como viver, agora?»«sabedoria do banal»«a escolha de escolher»
Fonte: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico
Ficha técnica
- Género
- Ensaio
- Eixo da obra
- Poesia, Espiritualidade e Meditação
- Primeira publicação
- Páginas
- 500 (edição em português)
- Formatos
- E-book Kindle · Livro impresso (capa mole) · Livro impresso (capa dura)
- Línguas
- 2 — português e inglês
- ISBN
- 979-8180442956




