Zum Inhalt springen
Cover des Buches „Vencer é só Metade da Vitória“

Vencer é só Metade da Vitória, Band 2

«Convencer não é derrota de ninguém»

Seiten
659 Seiten
ISBN
ISBN 979-8185473214
Erstveröffentlichung
Formate
Kindle und Taschenbuch
Leseprobe lesen

Leseprobe

Este é o segundo e último volume de «Vencer é só metade da vitória. Convencer não é derrota de ninguém». As Partes I a III — o Prólogo, «A Ilusão da Vitória», «O Poder de Convencer» e «Guerra, Estratégia e Narrativa» — constam do Volume I. O presente volume retoma o argumento onde aquele o deixou, levando a tese ao mundo contemporâneo da técnica, ao interior da alma humana e, por fim, à interrogação sobre o futuro possível, antes de o encerrar no Epílogo e na Conclusão.

Houve um tempo em que o oráculo era um lugar. Ia-se a Delfos como se sobe a uma montanha: com esforço, com oferendas, com a consciência de que a resposta seria ambígua e teria de ser interpretada.

— Vencer é só Metade da Vitória — Band 2

Originaltext auf Portugiesisch.

Redaktionelle Anmerkung

Quelle: Verlagsbeschreibung der Ausgabe auf Portugiesisch (Amazon).

Über das Buch

Beschreibung aus der Originalausgabe, auf Portugiesisch. Der Text schließt an die Leseprobe an.

A pitonisa falava por enigmas, e o enigma era uma forma de respeito — reconhecia que o futuro não se entrega, negoceia-se. Entre a pergunta e a resposta havia distância, havia sacerdotes, havia a mediação inteira de uma cultura que sabia não dominar aquilo que consultava. O oráculo antigo humilhava quem o interrogava, e nessa humilhação havia uma estranha dignidade: lembrava ao homem que ele não era transparente a si mesmo, que havia nele um fundo que só os deuses liam.

Convém demorar o olhar sobre aquela montanha, porque a metáfora não é ornamento — é a chave de tudo o que se segue. À entrada do templo de Apolo, no pronaos onde os peregrinos passavam antes de descer à câmara da pitonisa, estava gravada a mais célebre das máximas délficas: gnóthi seautón, «conhece-te a ti mesmo». Detenhamo-nos no que ela verdadeiramente ordenava. Os estudiosos lembram que, na sua aplicação original, a fórmula significava sobretudo «conhece os teus limites» — sabe que és mortal, sabe o teu lugar, sabe que não és um deus. O oráculo, portanto, não prometia entregar-te a ti próprio numa bandeja. Fazia o contrário: impunha-te, como primeiro dever, a tarefa infinita de te decifrares, e advertia-te de que essa decifração jamais estaria concluída. O autoconhecimento era um trabalho do próprio, sobre o próprio, para o próprio — nunca uma prestação de serviço vinda de fora. A distância entre a pergunta e a resposta era a distância exata em que cabia a liberdade humana: o espaço para interpretar, para hesitar, para errar na interpretação e voltar a interrogar. Delfos consagrava, na pedra da sua ombreira, a opacidade do homem a si mesmo — e fazia dessa opacidade não uma falha a corrigir, mas a condição mesma de haver um sujeito.

Há uma história antiga que condensa tudo isto melhor do que qualquer definição, e vale a pena recontá-la porque é a fábula-mãe de todo este capítulo. Heródoto conta, no primeiro livro das suas Histórias, que Creso, o riquíssimo rei da Lídia, temendo a ascensão do poder persa, mandou consultar o oráculo de Delfos sobre se devia atacar Ciro. A resposta ficou como o modelo mesmo da ambiguidade délfica: se atravessasses o rio Hális e fizesses a guerra, destruirías um grande império. Creso ouviu o que queria ouvir — o império que cairia seria, claro, o dos persas — e marchou confiante para a batalha. O grande império que destruiu foi o seu. Detenhamo-nos no funcionamento desta resposta, porque é subtilíssimo e é exatamente o inverso do que o oráculo moderno faz. O oráculo antigo não mentiu a Creso nem o enganou: disse uma verdade rigorosamente exata — um grande império cairia — e devolveu ao rei, intacta, a tarefa de a interpretar. O erro foi todo de Creso, do seu desejo a projetar-se sobre o enigma, da sua pressa em ler na profecia a confirmação do que já queria. Delfos limitou-se a segurar o espelho; foi Creso quem, nele, viu o que lhe apetecia ver. E é nisto que reside a estranha honestidade do oráculo antigo: ele expunha o consulente à sua própria cegueira...

.

Verzeichnis der Ausgaben

Eine Zeile pro Ausgabe, in der Sprache, in der sie erschienen ist. Den Amazon-Shop wählen Sie einmal aus; er gilt für alle Ausgaben.
  • In den Amazon-Shops verwendet jeder Link den eigenen Code der jeweiligen Ausgabe (ASIN); die Verfügbarkeit in den einzelnen Ländern regelt Amazon.
  • In Portugal kaufen Sie bei Amazon Spanien: Einen portugiesischen Amazon-Shop gibt es nicht.
Alle Ausgaben und Shops ansehen

Bibliografische Angaben

Gattung
Essay
Erstveröffentlichung
Seiten
659 (Ausgabe auf Portugiesisch)
Formate
Kindle-E-Book · Taschenbuch
Sprachen
1 — Portugiesisch
ISBN
979-8185473214

Das könnte Sie auch interessieren

Alle Bücher ansehen