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Capa do livro «A Guerra da Ucrânia em 2026»

A Guerra da Ucrânia em 2026

«A guerra na Ucrânia não é apenas uma guerra. É um espelho no qual a Europa é forçada a ver-se: as suas dependências, as suas hesitações, os seus atrasos e, também, as suas capacidades quando finalmente decide agir»

Do livro — citação seleccionada em «A Obra Comentada»
Páginas
465 páginas
ISBN
ISBN 979-8180449597
Primeira publicação
Formatos
Kindle e capa mole
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Excerto

Em fevereiro de 2022, quando as colunas blindadas russas avançaram sobre Kiev, muitos observadores acreditaram que seriam poucas semanas a testemunhar o fim do Estado ucraniano tal como o conhecíamos. Quatro anos depois, em junho de 2026, esse cálculo revelou-se não apenas errado, mas profundamente revelador das ilusões estratégicas que tinham acumulado nas margens da política europeia desde o fim da Guerra Fria. A guerra que Putin ordenou para durar dias tornou-se o conflito mais longo e destrutivo que o continente europeu conhece desde 1945, e não há sinal de que o seu desfecho esteja próximo — pelo menos não nos termos que qualquer das partes inicialmente imaginou.

— A Guerra da Ucrânia em 2026

Nota editorial

Fonte: descrição editorial da edição em português (Amazon).

Sobre o livro

Texto publicado com a edição em português (Amazon). O texto continua a partir do excerto.

A incompreensão estratégica que presidiu ao cálculo russo de fevereiro de 2022 não foi, porém, uma anomalia isolada. Inseriu-se numa longa tradição de erros de avaliação sobre a Ucrânia que atravessa décadas de pensamento geopolítico ocidental e russo. Tanto em Moscovo como em muitas capitais europeias, a Ucrânia foi sistematicamente subavaliada: a sua coesão nacional vista como frágil, a sua vontade de combate como incerta, a sua viabilidade económica como dependente de laços históricos com a Rússia. Esta visão, profundamente errada, refletia não apenas um equívoco factual sobre a Ucrânia dos anos 2010 e 2020, mas uma lente conceptual que não conseguia imaginar que uma sociedade forjada em décadas de pressão autoritária e em oito anos de guerra de baixa intensidade no Donbas poderia mobilizar-se com a ferocidade e a disciplina que demonstrou. O colapso dessa ilusão foi, em si mesmo, um dos eventos mais reveladores da história europeia recente.

Este livro nasce precisamente desse reconhecimento: o de que 2026 representa um momento de viragem singular, não porque a guerra esteja perto do fim, mas porque as condições que a sustentam e as forças que a moldam sofreram transformações estruturais que exigem análise aprofundada e síntese rigorosa. Estamos perante um conflito que deixou há muito de ser apenas um confronto armado entre dois Estados e se tornou um teste sistémico à arquitectura de segurança europeia no seu todo, à resiliência económica do Estado russo, à capacidade adaptativa das instituições ucranianas e à coerência das democracias ocidentais perante uma ameaça prolongada. Mais do que uma guerra por território, o conflito ucraniano de 2026 é uma crise de ordenamento internacional — um momento em que os princípios que regulam as relações entre Estados estão a ser testados com uma brutalidade que a diplomacia multilateral das últimas décadas havia, ilusoriamente, feito parecer obsoleta.

A relevância histórica deste momento dificilmente pode ser exagerada. Em pouco mais de quatro anos, a guerra remodelou a ordem energética europeia, relançou o debate sobre a soberania estratégica do continente, empurrou países como a Alemanha e a Espanha para os maiores aumentos de despesa em defesa desde a reunificação e os anos da NATO fria, obrigou a uma reavaliação profunda do papel dos Estados Unidos como garante da segurança transatlântica — e colocou, pela primeira vez em décadas, a questão da guerra convencional de alta intensidade no centro da planificação militar europeia. Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), publicados em abril de 2026, os gastos militares globais atingiram um recorde de 2,89 biliões de dólares em 2025, com a Europa a registar um aumento de 14 por cento, para 864 mil milhões de dólares — o crescimento anual mais acentuado desde o fim da Guerra Fria. Para compreender o que esta viragem representa, basta recordar que, nos anos imediatamente anteriores à invasão, o debate europeu sobre defesa girava em torno de saber se a despesa dos 2 por cento do PIB exigida pela NATO era realista ou desejável. Quatro anos depois, essa meta transformou-se num piso, não num tecto, para um número crescente de aliados..

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Leitura crítica — «A Obra Comentada» (2026)

Leitura crítica em terceira pessoa, reproduzida de «A Obra Comentada», o catálogo comentado da obra publicado pelo próprio autor. Não se trata de uma recensão de imprensa.

A Guerra da Ucrânia em 2026 — Situação Actual, Dinâmicas de Transição e Cenários para o Futuro é o livro mais estritamente analítico do eixo: uma fotografia de alta resolução do conflito no momento em que o autor o considera um ponto de viragem — Junho de 2026, quando «a guerra que Putin ordenou para durar dias» completa mais de quatro anos sem desfecho à vista. A tese que organiza o volume é dupla. Primeiro, a de que 2026 «representa um momento de viragem singular, não porque a guerra esteja perto do fim, mas porque as condições que a sustentam e as forças que a moldam sofreram transformações estruturais»: a economia de guerra russa aproxima-se dos seus limites, a ofensiva desacelera, e a Ucrânia — «forçada pelas circunstâncias mais drásticas» — construiu capacidades militares e industriais que alteram o seu peso no panorama de defesa europeu. Segundo, a de que o conflito «deixou há muito de ser apenas um confronto armado entre dois Estados e se tornou um teste sistémico à arquitectura de segurança europeia no seu todo».

A estrutura, em dez capítulos, percorre a linha da frente e a sua geometria de atrito denso, a transformação militar ucraniana — os capítulos sobre a revolução dos drones FPV, a guerra electrónica de baixo custo, a mosaic warfare e a fusão civil-militar estão entre os mais originais da literatura estratégica em língua portuguesa —, as economias de guerra dos dois beligerantes, as dinâmicas políticas internas, a diplomacia e os seus impasses, e os cenários de saída. O método é o mais rigorosamente declarado de toda a obra do autor: análise estratégica de fontes abertas, com apoio sistemático nos relatórios diários do Institute for the Study of War, no RUSI, na Chatham House e no CSIS, e um critério epistemológico assumido como exigência ética — «distinção clara entre factos observados, interpretações analíticas e projeções», porque num conflito em que a desinformação é arma «essa distinção não é uma formalidade metodológica». O prefácio apresenta a obra como fruto do trabalho de uma equipa alargada de analistas especializados, sinal do modo oficinal, quase de gabinete de estudos, com que o autor encara este género de livro.

O posicionamento não é neutro, e o autor explica porquê: a invasão russa «constitui uma violação flagrante do direito internacional» — «estes são factos, não tomadas de posição» —, mas a honestidade analítica exige examinar «com igual rigor as fragilidades ucranianas» e «as contradições da resposta ocidental». No conjunto da obra, este volume é o alicerce empírico sobre o qual A Queda do Centro ergue os seus cenários e de onde a Meta-Ameaça Sino-Russa extrai a evidência do papel da China como sustentáculo da guerra russa. E a sua frase-síntese merece ser citada, porque condensa a função que o autor atribui ao livro dentro do seu projecto europeu: «A guerra na Ucrânia não é apenas uma guerra. É um espelho no qual a Europa é forçada a ver-se: as suas dependências, as suas hesitações, os seus atrasos e, também, as suas capacidades quando finalmente decide agir».

Citações do livro

  • «a guerra que Putin ordenou para durar dias»

  • «representa um momento de viragem singular, não porque a guerra esteja perto do fim, mas porque as condições que a sustentam e as forças que a moldam sofreram transformações estruturais»

  • «deixou há muito de ser apenas um confronto armado entre dois Estados e se tornou um teste sistémico à arquitectura de segurança europeia no seu todo»

  • «distinção clara entre factos observados, interpretações analíticas e projeções»

  • «essa distinção não é uma formalidade metodológica»

  • «constitui uma violação flagrante do direito internacional»

  • «estes são factos, não tomadas de posição»

  • «com igual rigor as fragilidades ucranianas»

Outras expressões do livro citadas

«forçada pelas circunstâncias mais drásticas»«as contradições da resposta ocidental»

Fonte: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Ficha técnica

Género
Ensaio
Primeira publicação
Páginas
465 (edição em português)
Formatos
E-book Kindle · Livro impresso (capa mole)
Línguas
4 — português, inglês, francês e alemão
ISBN
979-8180449597

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