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Couverture du livre « O Novo Risco Sistémico »

O Novo Risco Sistémico

Segurança, Energia e Guerra no Século XXI

« Do Conflito Regional Irão–EUA ao Conflito Global »

Extrait du livre — citation retenue dans « A Obra Comentada »
Pages
776 pages
ISBN
ISBN 979-8198726017
Première publication
Formats
Kindle et broché
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Extrait

to de Ormuz e nos territórios adjacentes do Levante mediterrânico, não pode ser entendido isoladamente. As suas consequências reais — energéticas, financeiras, jurídicas, militares — propagam-se ao longo de cadeias de interdependência que ligam o Golfo Pérsico ao estreito de Formosa, Beirute a Taipé, Teerão a Pequim e Moscovo, Telavive a Washington, Bruxelas a Berlim e Lisboa. A urgência é a de que, em Maio de 2026, quando estas linhas se escrevem, o sistema internacional encontra-se num momento de transformação acelerada cuja gravidade e cuja imprevisibilidade exigem ferramentas analíticas renovadas e um vocabulário capaz de captar a sua especificidade.

— O Novo Risco Sistémico

Texte original en portugais.

Note éditoriale

Source : présentation de l’éditeur de l’édition en portugais (Amazon).

À propos du livre

Présentation de l’édition originale, en portugais. Le texte reprend là où s’arrête l’extrait.

Esta obra propõe um conceito articulador — o de risco sistémico — e procura mostrar, com rigor e detalhe, como ele opera no quadro contemporâneo. A escolha deste conceito não é arbitrária. Tem origem em três tradições intelectuais distintas mas convergentes: a tradição realista das relações internacionais, na sua versão estrutural de Kenneth Waltz e nas suas reformulações posteriores; a tradição da interdependência complexa, na sua formulação clássica por Robert Keohane e Joseph Nye; e a tradição mais recente da análise de sistemas complexos, com referências fundamentais aos trabalhos de Dirk Helbing sobre riscos em rede e de Nassim Taleb sobre eventos extremos. Cada uma destas tradições, isoladamente, ilumina uma dimensão da realidade. A sua articulação, ainda que exigente em termos de coerência teórica, oferece o tipo de leitura que o tempo presente reclama.

Sou cidadão português, leitor obstinado de literatura estratégica, militar e geopolítica, e estes últimos anos têm sido, para mim como para tantos outros, uma escola contínua. Vi colapsar certezas que, em 1989, pareciam definitivas. Acompanhei, dia a dia, a guerra na Ucrânia, a crise prolongada do Médio Oriente, a militarização do Indo-Pacífico, o tremor das instituições euro-atlânticas. A escrita deste livro corresponde, antes de qualquer outra função, à necessidade pessoal de organizar, em estrutura argumentativa coerente, aquilo que de outro modo seria apenas dispersão acumulada de leituras e de inquietação. Sei que muitos outros leitores partilham esta condição. É para eles, mais do que para o especialista profissional, que estas páginas foram pensadas.

O período coberto pelo estudo é, por necessidade, recente. As referências factuais cobrem sobretudo o intervalo entre o anúncio dos Acordos de Abraão em Agosto de 2020 e Maio de 2026. As referências de longa duração — quando indispensáveis para a compreensão da génese histórica de um conflito ou de uma instituição — recuam até momentos anteriores: o golpe contra Mossadegh em 1953, a Revolução Iraniana de 1979, o fim da Guerra Fria em 1989-1991, a invasão do Iraque em 2003. A obra não pretende, contudo, ser história contemporânea. Pretende ser análise estratégica fundada na história, o que é matéria distinta.

Adopto, ao longo do texto, três compromissos. O primeiro é o do rigor: nada do que afirmo deve ser tomado como especulação inconsequente. Cada juízo estratégico assenta em fontes públicas verificáveis, em quadros teóricos consolidados e em modelos quantitativos cuja replicação está ao alcance do leitor diligente. O segundo é o da clareza: ainda que o objecto seja complexo, a exposição procura ser legível, evitando jargão desnecessário e oferecendo, sempre que útil, definições explícitas dos termos técnicos. O terceiro é o da honestidade epistémica: não escondo as incertezas, não apresento previsões como certezas e não confundo aquilo que desejaria que acontecesse com aquilo que estimo poder acontecer. A análise estratégica, na sua forma mais responsável, é uma disciplina de modéstia metódica.

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Lecture critique — « A Obra Comentada » (2026)

Lecture critique à la troisième personne, reproduite de « A Obra Comentada », le catalogue commenté de l’œuvre publié par l’auteur lui-même. Il ne s’agit pas d’une critique de presse.

Texte original en portugais.

O Novo Risco Sistémico, com o subtítulo «Do Conflito Regional Irão–EUA ao Conflito Global», é porventura o livro mais ambicioso do eixo geopolítico de Hermínio Cerqueira no plano conceptual, porque não se limita a analisar uma crise: propõe o instrumento com que todas as crises do seu tempo devem ser lidas. A tese central é enunciada logo no prefácio — o conflito entre os Estados Unidos e o Irão, com palco principal no Estreito de Ormuz, «não pode ser entendido isoladamente», porque as suas consequências «energéticas, financeiras, jurídicas, militares — propagam-se ao longo de cadeias de interdependência que ligam o Golfo Pérsico ao estreito de Formosa, Beirute a Taipé, Teerão a Pequim e Moscovo». O conceito articulador é o de risco sistémico, importado do vocabulário financeiro da crise de 2007-2009 e transposto, com cuidado epistemológico assinalável, para a segurança internacional: a possibilidade de choques localizados se propagarem por múltiplos canais, de forma não-linear e potencialmente irreversível, até domínios geográfica e funcionalmente distantes do ponto de origem.

A estrutura é monumental — oito Partes e vinte e oito capítulos, com anexos de tabelas de risco, cronologia 2000-2026, glossário e bibliografia — e o método articula três níveis declarados: teórico, empírico e formal. No plano teórico, o autor mobiliza e cruza três tradições que raramente convivem no mesmo volume: o realismo estrutural de Kenneth Waltz e as suas reformulações por Mearsheimer, Walt e Posen; a interdependência complexa de Robert Keohane e Joseph Nye; e a análise de sistemas complexos, com Dirk Helbing e os «cisnes negros» de Nassim Taleb. No plano formal, oferece um modelo de risco quantitativo alinhado com as normas ISO 31000 e 31010 — R = (P × I × V) / 5, expandido em capítulos avançados para incluir a interdependência sistémica e a capacidade de resposta —, apresentado com honestidade rara: as probabilidades dos cenários (colapso negocial, acordo parcial, escalada) são dadas em intervalos, com os pressupostos expostos, e o leitor é expressamente convidado a contestá-las. No plano empírico, os teatros percorrem Ormuz, o sistema Israel-Hezbollah, Taiwan e os semicondutores, o flanco leste da NATO — e cinco capítulos inteiros dedicados a Portugal, das infra-estruturas críticas de Sines e dos cabos submarinos à comparação quantitativa com Espanha.

É precisamente esta escolha de Portugal como «laboratório quase ideal» de pequeno Estado exposto que dá ao livro o seu lugar singular na obra completa: O Novo Risco Sistémico é a chave de abóbada teórica do ciclo de Ormuz de 2026 (O Atlântico em Chamas, Crise Energética Mundial, O Controlo dos Estreitos), fornecendo-lhe a gramática analítica que os volumes mais narrativos aplicam. A dedicatória define o programa — «Aos que pensam o mundo antes de o ouvir explodir» — e o prefácio fixa a ética que percorre todo o eixo: «Pensar a geopolítica como se fosse um jogo abstracto entre potências é uma traição ao que está verdadeiramente em causa». Entre a frieza do modelo e o calor desta advertência, o livro encontra um equilíbrio que é, no fundo, a sua assinatura: análise de risco com rosto humano. Se algum reparo se lhe pode fazer, é o da exaustividade — os capítulos multiplicam aprofundamentos, apêndices e sínteses parciais que por vezes ensaiam de novo o já demonstrado —, mas trata-se do defeito da própria virtude: a de querer ser, simultaneamente, tratado, manual de método e aviso à navegação.

Citations du livre

  • « energéticas, financeiras, jurídicas, militares — propagam-se ao longo de cadeias de interdependência que ligam o Golfo Pérsico ao estreito de Formosa, Beirute a Taipé, Teerão a Pequim e Moscovo »

  • « Aos que pensam o mundo antes de o ouvir explodir »

  • « Pensar a geopolítica como se fosse um jogo abstracto entre potências é uma traição ao que está verdadeiramente em causa »

Autres expressions du livre citées

« não pode ser entendido isoladamente »« cisnes negros »« laboratório quase ideal »

Source : «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Fiche technique

Genre
Essai
Première publication
Pages
776 (édition en portugais)
Formats
Livre numérique Kindle · Broché
Langues
1 — portugais
ISBN
979-8198726017

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