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Cover des Buches „O Controlo dos Estreitos“

O Controlo dos Estreitos

Estratégia Naval dos Impérios

Albuquerque e Trump: paralelo histórico-estratégico

Hervorhebung aus „A Obra Comentada“
Seiten
713 Seiten
ISBN
ISBN 979-8199394611
Erstveröffentlichung
Formate
Kindle und Taschenbuch

Beschreibung

Beschreibung aus der Originalausgabe, auf Portugiesisch.

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Dedicatória

À memória de Afonso de Albuquerque, Leão dos Mares, que demonstrou que a inteligência estratégica supera a força bruta, e que o controlo do mar é o controlo do mundo.

E a todos os que navegam estreitos impossíveis com recursos insuficientes e visão ilimitada.

-Hermínio Cerqueira

«Quem é senhor do comércio é senhor da riqueza do mundo, e assim do próprio mundo.»

— Afonso de Albuquerque, carta ao rei D. Manuel I, c. 1513

«Whoever commands the sea commands the trade; whoever commands the trade of the world commands the riches of the world, and consequently the world itself.»

— Walter Raleigh
O Mar como Instrumento de Poder Global
1.1 A geometria do poder marítimo

O oceano não é um vazio. É, pelo contrário, o mais antigo e mais persistente eixo de poder que a humanidade construiu, um espaço tridimensional onde se cruzam rotas comerciais, linhas de abastecimento energético, cadeias logísticas industriais e vetores de projeção militar. Compreender o poder marítimo exige, antes de mais, reconhecer a sua geometria específica: ao contrário do poder terrestre, que se exerce em contiguidade e que conhece fronteiras, fricções e barreiras físicas, o poder sobre o mar tende para a ubiquidade — quem o domina pode, em teoria, aparecer em qualquer ponto da superfície oceânica, com força concentrada e mobilidade irrestrita. Esta assimetria fundamental entre o domínio terrestre e o domínio marítimo é a base de toda a teoria estratégica que se desenvolveu desde o século XVI até ao presente.

A geometria do poder marítimo organiza-se em torno de três categorias analíticas que se interpenetram sem nunca se confundir: o acesso, o controlo e a negação. O acesso diz respeito à capacidade de utilizar livremente o mar — para fins comerciais, para projeção de força ou para vigilância estratégica. O controlo implica a capacidade de regulamentar o uso do mar por parte de terceiros, distinguindo entre aliados a quem se concede passagem e adversários a quem se recusa. A negação, por seu turno, refere-se à capacidade de impedir que um adversário utilize o mar, mesmo sem necessidade de controlo absoluto — basta que o custo imposto seja suficientemente elevado para alterar o comportamento do adversário. A crise de Ormuz de 2026 é, na sua essência, um exercício combinado de controlo e negação seletiva: o Irão não fechou o estreito a todos os navegantes, mas instituiu um regime discriminatório que distinguia entre nações "hostis" e "amigas", impondo portagens em yuan a umas e concedendo passagem livre às outras (CSIS, 2026).

A geometria do poder marítimo também se organiza verticalmente no tempo histórico. Os impérios que compreenderam o mar como instrumento de poder — Atenas, Cartago, Veneza, Portugal, os Países Baixos, a Grã-Bretanha, os Estados Unidos — partilharam uma característica estrutural: a capacidade de converter mobilidade naval em riqueza comercial e, inversamente, riqueza comercial em capacidade naval sustentada. Paul Kennedy denominou este ciclo de reforço mútuo o "fundamento material do poder imperial" (Kennedy, 1987), e a sua ausência é frequentemente o prelúdio do declínio. A China dos séculos XIV e XV exemplifica a outra face: Zheng He conduziu sete grandes expedições até ao Índico e à costa oriental africana entre 1405 e 1433, mas o Estado Ming optou por retirar-se do mar e destruir os registos das frotas, entregando espontaneamente a vantagem marítima aos europeus que ali chegariam poucas décadas depois...

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Kritische Lektüre – „A Obra Comentada“ (2026)

Eine kritische Lektüre in der dritten Person, übernommen aus „A Obra Comentada“, dem vom Autor selbst veröffentlichten kommentierten Werkverzeichnis. Es handelt sich nicht um eine Pressekritik.

Originaltext auf Portugiesisch.

O Controlo dos Estreitos, na sua segunda edição «integralmente revista e ampliada» — oito partes, vinte e quatro capítulos e seis anexos —, é o livro de história e teoria do poder marítimo do eixo, construído sobre um paralelo deliberadamente provocador que o subtítulo anuncia: Afonso de Albuquerque e Donald Trump, ou como dois impérios, a cinco séculos de distância, enfrentaram o mesmo problema — o controlo dos pontos de estrangulamento do comércio mundial. A dedicatória, «à memória de Afonso de Albuquerque, Leão dos Mares», e a epígrafe da sua carta a D. Manuel I — «Quem é senhor do comércio é senhor da riqueza do mundo, e assim do próprio mundo» — emparelhada com a formulação quase idêntica de Walter Raleigh um século depois, estabelecem desde a primeira página a tese da continuidade estrutural: a geografia do poder marítimo muda de tecnologia, não de gramática.

A abertura teórica é das mais sólidas do eixo: «O oceano não é um vazio», escreve o autor, mas «o mais antigo e mais persistente eixo de poder que a humanidade construiu», organizado em torno de três categorias — acesso, controlo e negação — que estruturam depois toda a análise. O primeiro capítulo é um verdadeiro seminário de teoria naval: Mahan e os seis elementos do poder marítimo (aplicados, num gesto característico, ao caso iraniano), Corbett e o command of the sea, Till e Lambert no século XXI, Paul Kennedy e o ciclo de reforço mútuo entre riqueza comercial e capacidade naval, o seguro marítimo como arma estratégica. Segue-se uma cartografia global do risco — Ormuz, Malaca, Suez, Bab el-Mandeb, Gibraltar, Panamá e os Estreitos Turcos, hierarquizados numa análise tridimensional — e, na Parte II, o capítulo português: o modelo de império marítimo do Estado da Índia, os cartazes e a tributação, Goa, Malaca e Ormuz, com a historiografia de Subrahmanyam e Boxer devidamente convocada e com paralelos explícitos entre a administração albuquerquiana e a crise de 2026. Porque é essa crise — o bloqueio de Ormuz — que funciona como «caso-mestre» de todo o livro: o momento em que a teoria dos chokepoints deixou de ser académica.

No conjunto da obra, O Controlo dos Estreitos é a coluna vertebral histórica do ciclo de Ormuz: fornece a longue durée que O Atlântico em Chamas narra no presente e que a Crise Energética Mundial projecta no futuro. E é também o livro em que o autor mais claramente reivindica um lugar português na teoria estratégica universal — não por patriotismo retrospectivo, mas por um argumento incómodo e bem documentado: o de que o primeiro império a compreender e a praticar sistematicamente o controlo dos estreitos como instrumento de poder global falava português. A segunda edição, muito ampliada, paga o preço habitual da expansão — a densidade de subsecções por vezes fragmenta o fôlego narrativo —, mas ganha em completude o que perde em leveza: é, no seu domínio e no seu idioma, uma obra de referência.

Zitate aus dem Buch

  • „à memória de Afonso de Albuquerque, Leão dos Mares“

  • „O oceano não é um vazio“

  • „o mais antigo e mais persistente eixo de poder que a humanidade construiu“

Weitere zitierte Wendungen aus dem Buch

„integralmente revista e ampliada“„caso-mestre“

Quelle: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Bibliografische Angaben

Gattung
Essay
Erstveröffentlichung
Seiten
713 (Ausgabe auf Portugiesisch)
Formate
E-Book · Taschenbuch
Sprachen
3 — Portugiesisch, Englisch und Arabisch
ISBN
979-8199394611

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