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Cover des Buches „Os Evangelhos Silenciados à luz dum leigo no Século XXI“

Os Evangelhos Silenciados à luz dum leigo no Século XXI, Band 2

„foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária“

Aus dem Buch – Zitat ausgewählt in „A Obra Comentada“
Seiten
602 Seiten
ISBN
ISBN 979-8198651265
Erstveröffentlichung
Formate
Kindle und Taschenbuch
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Leseprobe

Entre os textos que a biblioteca de Nag Hammadi devolveu à luz em 1945, nenhum tem provocado tanta investigação, tanta admiração e tanta inquietação como o Evangelho segundo Tomé. Não é evangelho narrativo: não conta a infância de Jesus, nem os seus milagres, nem a paixão, nem a ressurreição. É uma colectânea — pura e seca — de cento e catorze ditos atribuídos ao Senhor, cada um introduzido por uma fórmula simples ("Disse Jesus...") e separado dos outros por uma linha em branco do escriba copta. Não há ordem narrativa. Não há contexto. Não há explicação. Há apenas a voz — a voz que se diz de Jesus —, ressoando em forma de aforismo, de parábola breve, de paradoxo, de imperativo gnómico.

— Os Evangelhos Silenciados à luz dum leigo no Século XXI — Band 2

Originaltext auf Portugiesisch.

Redaktionelle Anmerkung

Quelle: Verlagsbeschreibung der Ausgabe auf Portugiesisch (Amazon).

Über das Buch

Beschreibung aus der Originalausgabe, auf Portugiesisch. Der Text schließt an die Leseprobe an.

O texto abre com uma fórmula extraordinária: "Estes são os ditos secretos que o Jesus vivente disse e que escreveu Dídimo Judas Tomé. E disse: Quem encontrar a interpretação destas palavras não saboreará a morte" (logion 1). E fecha, cento e catorze logia depois, com um diálogo polémico entre Pedro, que pede que Maria seja afastada "porque as mulheres não são dignas da vida", e Jesus, que recusa, prometendo "levá-la a si mesma" (logion 114). Entre o início e o fim, abre-se um universo verbal único na literatura cristã antiga.

O Evangelho de Tomé é, possivelmente, o mais importante dos textos descobertos em Nag Hammadi do ponto de vista historiográfico. Várias razões. Primeiro: porque a sua datação é antiga. Apesar das discussões — alguns investigadores datam-no nos anos 50-60 da nossa era (paralelo ou anterior aos sinópticos), outros nos anos 100-140 (posterior mas ainda muito próximo das origens) —, há consenso largo de que o núcleo do texto remonta às primeiras décadas do cristianismo, possivelmente conservando ditos de Jesus em formas anteriores às registadas em Mateus, Marcos e Lucas. Segundo: porque os fragmentos gregos de Oxirinco (Pap. Oxy. 1, 654, 655), descobertos em 1897 e 1903-1904, mostram que o texto circulava em grego no início do século III, com uma versão muito próxima da copta. Terceiro: porque a sua estrutura — colectânea de logia, sem narrativa — coincide notavelmente com o que a hipótese exegética moderna postula para a fonte Q (a colectânea de ditos hipotética, comum a Mateus e Lucas, postulada para explicar o problema sinóptico). O Evangelho de Tomé poderia ser, na sua arquitectura formal, o testemunho material de um género literário cristão primitivo de que Q seria outro exemplar.

Para a teologia, o Evangelho de Tomé é também extraordinário, embora por razões diferentes. Não tem cosmologia gnóstica elaborada (não menciona Yaldabaoth, nem os Eóns, nem a queda da Sophia). Não tem cristologia docética manifesta (Jesus aparece como mestre de sabedoria, não como espírito que aparenta corpo). Não tem soteriologia de redenção exterior (a salvação é oferecida não por sacrifício de Cristo, mas por conhecimento — gnose — de si mesmo). É, em última análise, um texto sapiencial: a sua matriz é a literatura sapiencial judaica (Provérbios, Eclesiástico, Sabedoria), com inflexão cristã e provavelmente sob influência hermético-helenística..

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Kritische Lektüre – „A Obra Comentada“ (2026)

Eine kritische Lektüre in der dritten Person, übernommen aus „A Obra Comentada“, dem vom Autor selbst veröffentlichten kommentierten Werkverzeichnis. Es handelt sich nicht um eine Pressekritik.

Originaltext auf Portugiesisch.

Obra monumental em dois volumes — mais de mil e seiscentas páginas no formato editorial —, Os Evangelhos Silenciados é o centro de gravidade espiritual de toda a produção de Hermínio Cerqueira e a matriz de que derivam vários livros deste eixo. O ponto de partida é histórico e quase romanesco: Dezembro de 1945, Alto Egipto, a enxada de Muhammad Ali al-Samman a bater numa jarra de barro com treze códices coptas — o Evangelho de Tomé, o de Maria, o de Filipe, o Apócrifo de João, vozes que a Carta Festal de Atanásio silenciara em 367 e que voltavam, intactas, «à conversação humana». O Volume I narra a travessia: a pluralidade do cristianismo primitivo, a construção do cânon de Ireneu a Constantino, a longa noite medieval e moderna, Tischendorf no Sinai, a viragem de Nag Hammadi. O Volume II entra no coração teológico: leitura demorada dos cinco apócrifos centrais, a reabilitação de Maria Madalena como «apóstola das apóstolas», a teologia do feminino divino, e o exercício mais ousado do conjunto — três cenários contrafactuais sobre o que teria sido a Igreja se estes evangelhos tivessem entrado no cânon.

Mas o que dá ao livro a sua fisionomia própria não é a erudição — que existe, em diálogo declarado com Pagels, Ehrman, King, Robinson — e sim o lugar de enunciação. O autor escreve, di-lo com honestidade desarmante, como leigo: «não por um clérigo, não por um académico», mas por alguém que «foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária». Daqui nasce a tese que estrutura os dois volumes e que é, no fundo, a tese espiritual de toda a obra: a pergunta não é o contrário da fé, é a sua forma respiratória. «A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira», escreve no primeiro capítulo, cujo título — «Não somos livres de perguntar?» — funciona como pórtico de tudo. O argumento é conduzido com um método que o próprio livro teoriza: a quaestio tomista, a fé que dá voz à objecção antes de responder. Desfilam Justino, Orígenes, Agostinho («crede ut intelligas»), Anselmo, Pascal; e desfila também a contra-história dos silenciados modernos — Teilhard, Congar, de Lubac, Küng —, lida com uma serenidade que recusa tanto o ressentimento como a apologética: «a reabilitação tarda, mas chega».

As imagens dominantes são domésticas e humildes — a mesa de cozinha onde alguém abre a Bíblia da avó, a igreja vazia a meio da semana, o quarto de hospital — porque é «destes lugares, e não de outros», que a obra parte. A prosa tem pórticos e codas meditativas em cada capítulo, e frases que condensam a moral do conjunto com nitidez aforística: «Calar por medo é entregar a casa ao vento»; «vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar». No plano da obra completa, este díptico é decisivo por duas razões. Primeiro, porque fornece o repertório simbólico dos livros de poemas em prosa que se lhe seguem — O Reino Está Dentro e Fora é explicitamente a sua transposição lírica. Segundo, porque ilumina a tese XVIII do Manifesto pelo lado menos esperado: o estratega que analisa o poder eclesiástico do século IV com o mesmo rigor com que analisaria uma aliança contemporânea é também o crente que se recusa a separar rigor e ternura. A investigação sobre quem decidiu o cânon, «com que ganhos e com que perdas», é trabalho de análise estratégica aplicado à história da fé — mas conduzido por quem sente o que está em jogo em cada silenciamento. Fé adulta, aqui, é exactamente isso: inteligência que não deixou de amar aquilo que interroga.

Zitate aus dem Buch

  • „não por um clérigo, não por um académico“

  • „A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira“

  • „destes lugares, e não de outros“

  • „Calar por medo é entregar a casa ao vento“

  • „vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar“

  • „com que ganhos e com que perdas“

Weitere zitierte Wendungen aus dem Buch

„à conversação humana“„apóstola das apóstolas“„Não somos livres de perguntar?“„crede ut intelligas“„a reabilitação tarda, mas chega“

Quelle: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Bibliografische Angaben

Gattung
Essay
Erstveröffentlichung
Seiten
602 (Ausgabe auf Portugiesisch)
Formate
Kindle-E-Book · Taschenbuch
Sprachen
2 — Portugiesisch und Englisch
ISBN
979-8198651265

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