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Cover of the English edition of “The Silenced Gospels”

The Silenced Gospels, Volume 2

In the Light of a Layman in the 21st Century

“foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária”

From the book — quotation selected in “A Obra Comentada”
Pages
733 pages
ISBN
ISBN 979-8195172466
Published
Formats
Kindle and paperback
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About the book

Text published with the English edition (Amazon).

The apocrypha returned to human conversation almost eighty years ago. But what are we to do with them? This Volume II enters the theological, pastoral, and counterfactual heart of the question. Part V offers a sustained reading of the five central texts: the Gospel of Thomas as early Christian wisdom, the Gospel of Philip as Valentinian sacramental theology, the Gospel of Mary as the voice of the apostle of the apostles, the Gospel of Judas as a challenge to the figure of the betrayer, and the Apocryphon of John as a complete Sethian cosmology. Part VI articulates the contemporary reception — academia, the Churches, popular culture —, the implications for systematic theology, the contribution to the divine feminine, interreligious dialogue, and integration into the post–Vatican II Church. Part VII undertakes the work's most daring exercise: how would the Church have evolved had these gospels been integrated into the canon? Three counterfactual scenarios — sapiential, of the feminine voices, Gnostic — explored with methodological rigor, culminate in a final synthesis weighing the gains and losses. Documentary appendices include a comparative chronology, an onomastic index, a theological glossary, and a consolidated bibliography. A general epilogue gathers the lessons of the long crossing. Fifteen chapters, seven hundred pages. From analysis to responsible imagination. The crossing of contemporary fidelity.

Excerpt

Entre os textos que a biblioteca de Nag Hammadi devolveu à luz em 1945, nenhum tem provocado tanta investigação, tanta admiração e tanta inquietação como o Evangelho segundo Tomé. Não é evangelho narrativo: não conta a infância de Jesus, nem os seus milagres, nem a paixão, nem a ressurreição. É uma colectânea — pura e seca — de cento e catorze ditos atribuídos ao Senhor, cada um introduzido por uma fórmula simples ("Disse Jesus...") e separado dos outros por uma linha em branco do escriba copta. Não há ordem narrativa. Não há contexto. Não há explicação. Há apenas a voz — a voz que se diz de Jesus —, ressoando em forma de aforismo, de parábola breve, de paradoxo, de imperativo gnómico.

— Os Evangelhos Silenciados à luz dum leigo no Século XXI — Volume 2

Original text in Portuguese.

Editorial note

Source: publisher’s description of the Portuguese edition (Amazon).

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Critical reading — “A Obra Comentada” (2026)

A third-person critical reading, reproduced from “A Obra Comentada,” the annotated catalog of the work published by the author himself. It is not a press review.

Original text in Portuguese.

Obra monumental em dois volumes — mais de mil e seiscentas páginas no formato editorial —, Os Evangelhos Silenciados é o centro de gravidade espiritual de toda a produção de Hermínio Cerqueira e a matriz de que derivam vários livros deste eixo. O ponto de partida é histórico e quase romanesco: Dezembro de 1945, Alto Egipto, a enxada de Muhammad Ali al-Samman a bater numa jarra de barro com treze códices coptas — o Evangelho de Tomé, o de Maria, o de Filipe, o Apócrifo de João, vozes que a Carta Festal de Atanásio silenciara em 367 e que voltavam, intactas, «à conversação humana». O Volume I narra a travessia: a pluralidade do cristianismo primitivo, a construção do cânon de Ireneu a Constantino, a longa noite medieval e moderna, Tischendorf no Sinai, a viragem de Nag Hammadi. O Volume II entra no coração teológico: leitura demorada dos cinco apócrifos centrais, a reabilitação de Maria Madalena como «apóstola das apóstolas», a teologia do feminino divino, e o exercício mais ousado do conjunto — três cenários contrafactuais sobre o que teria sido a Igreja se estes evangelhos tivessem entrado no cânon.

Mas o que dá ao livro a sua fisionomia própria não é a erudição — que existe, em diálogo declarado com Pagels, Ehrman, King, Robinson — e sim o lugar de enunciação. O autor escreve, di-lo com honestidade desarmante, como leigo: «não por um clérigo, não por um académico», mas por alguém que «foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária». Daqui nasce a tese que estrutura os dois volumes e que é, no fundo, a tese espiritual de toda a obra: a pergunta não é o contrário da fé, é a sua forma respiratória. «A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira», escreve no primeiro capítulo, cujo título — «Não somos livres de perguntar?» — funciona como pórtico de tudo. O argumento é conduzido com um método que o próprio livro teoriza: a quaestio tomista, a fé que dá voz à objecção antes de responder. Desfilam Justino, Orígenes, Agostinho («crede ut intelligas»), Anselmo, Pascal; e desfila também a contra-história dos silenciados modernos — Teilhard, Congar, de Lubac, Küng —, lida com uma serenidade que recusa tanto o ressentimento como a apologética: «a reabilitação tarda, mas chega».

As imagens dominantes são domésticas e humildes — a mesa de cozinha onde alguém abre a Bíblia da avó, a igreja vazia a meio da semana, o quarto de hospital — porque é «destes lugares, e não de outros», que a obra parte. A prosa tem pórticos e codas meditativas em cada capítulo, e frases que condensam a moral do conjunto com nitidez aforística: «Calar por medo é entregar a casa ao vento»; «vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar». No plano da obra completa, este díptico é decisivo por duas razões. Primeiro, porque fornece o repertório simbólico dos livros de poemas em prosa que se lhe seguem — O Reino Está Dentro e Fora é explicitamente a sua transposição lírica. Segundo, porque ilumina a tese XVIII do Manifesto pelo lado menos esperado: o estratega que analisa o poder eclesiástico do século IV com o mesmo rigor com que analisaria uma aliança contemporânea é também o crente que se recusa a separar rigor e ternura. A investigação sobre quem decidiu o cânon, «com que ganhos e com que perdas», é trabalho de análise estratégica aplicado à história da fé — mas conduzido por quem sente o que está em jogo em cada silenciamento. Fé adulta, aqui, é exactamente isso: inteligência que não deixou de amar aquilo que interroga.

Quotations from the book

  • “não por um clérigo, não por um académico”

  • “A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira”

  • “destes lugares, e não de outros”

  • “Calar por medo é entregar a casa ao vento”

  • “vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar”

  • “com que ganhos e com que perdas”

Other expressions quoted from the book

“à conversação humana”“apóstola das apóstolas”“Não somos livres de perguntar?”“crede ut intelligas”“a reabilitação tarda, mas chega”

Source: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Book details

Genre
Essay
First published
Pages
733 (English edition)
Formats
Kindle e-book · Paperback
Languages
2 — Portuguese and English
ISBN
979-8195172466

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