


The Silenced GospelsOs Evangelhos Silenciados à luz dum leigo no Século XXI, Volume 1
In the Light of a Layman in the 21st Century
Available in 2 languages
“foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária”
- Pages
- 725 pages
- ISBN
- ISBN 979-8195167165
- Published
- Formats
- Kindle and paperback
- Pages
- 710 pages
- ISBN
- ISBN 979-8198631878
- First published
- Formats
- Kindle and paperback
About the book
Text published with the English edition (Amazon).
In December 1945, in a field of Upper Egypt, a peasant unearths an earthenware jar that had been sealed for sixteen hundred years. Inside, thirteen Coptic codices containing fifty-two Christian texts — among them the Gospel of Thomas, the Gospel of Philip, the Gospel of Mary, the Apocryphon of John, the Gospel of Judas: voices the Church had silenced since the fourth century. This Volume I tells the long story that flows into that morning. It begins with the plural Christianity of the early centuries, when dozens of Christian communities read dozens of Gospels. It follows the wisdom figure of Thomas as the literary doorway, together with the polyphony of the central texts — Philip, Mary, Judas, Peter, the Apocryphon of John. It traces the progressive construction of the canon: Irenaeus of Lyon, the Church Fathers, the pre-Nicene councils, Athanasius's Festal Letter of 367, the Constantinian alliance with the Empire. And it then follows the apocrypha through the long night of silence: the Middle Ages, which preserved them in iconography and devotion without naming them; the Renaissance, which reopened critical philology; the Enlightenment, which dared to ask again; the nineteenth century of patient archaeology; the twentieth century and the decisive turning point at Nag Hammadi. Twenty chapters, nine hundred pages. From early Christian plurality to modern rediscovery. The crossing of history.
Index of editions
English edition:
The Silenced Gospels
725 pagesKindle and paperback
Portuguese edition:
Os Evangelhos Silenciados ... à luz dum leigo no Século XX!
710 pagesKindle and paperback
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Critical reading — “A Obra Comentada” (2026)
Original text in Portuguese.
Obra monumental em dois volumes — mais de mil e seiscentas páginas no formato editorial —, Os Evangelhos Silenciados é o centro de gravidade espiritual de toda a produção de Hermínio Cerqueira e a matriz de que derivam vários livros deste eixo. O ponto de partida é histórico e quase romanesco: Dezembro de 1945, Alto Egipto, a enxada de Muhammad Ali al-Samman a bater numa jarra de barro com treze códices coptas — o Evangelho de Tomé, o de Maria, o de Filipe, o Apócrifo de João, vozes que a Carta Festal de Atanásio silenciara em 367 e que voltavam, intactas, «à conversação humana». O Volume I narra a travessia: a pluralidade do cristianismo primitivo, a construção do cânon de Ireneu a Constantino, a longa noite medieval e moderna, Tischendorf no Sinai, a viragem de Nag Hammadi. O Volume II entra no coração teológico: leitura demorada dos cinco apócrifos centrais, a reabilitação de Maria Madalena como «apóstola das apóstolas», a teologia do feminino divino, e o exercício mais ousado do conjunto — três cenários contrafactuais sobre o que teria sido a Igreja se estes evangelhos tivessem entrado no cânon.
Mas o que dá ao livro a sua fisionomia própria não é a erudição — que existe, em diálogo declarado com Pagels, Ehrman, King, Robinson — e sim o lugar de enunciação. O autor escreve, di-lo com honestidade desarmante, como leigo: «não por um clérigo, não por um académico», mas por alguém que «foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária». Daqui nasce a tese que estrutura os dois volumes e que é, no fundo, a tese espiritual de toda a obra: a pergunta não é o contrário da fé, é a sua forma respiratória. «A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira», escreve no primeiro capítulo, cujo título — «Não somos livres de perguntar?» — funciona como pórtico de tudo. O argumento é conduzido com um método que o próprio livro teoriza: a quaestio tomista, a fé que dá voz à objecção antes de responder. Desfilam Justino, Orígenes, Agostinho («crede ut intelligas»), Anselmo, Pascal; e desfila também a contra-história dos silenciados modernos — Teilhard, Congar, de Lubac, Küng —, lida com uma serenidade que recusa tanto o ressentimento como a apologética: «a reabilitação tarda, mas chega».
As imagens dominantes são domésticas e humildes — a mesa de cozinha onde alguém abre a Bíblia da avó, a igreja vazia a meio da semana, o quarto de hospital — porque é «destes lugares, e não de outros», que a obra parte. A prosa tem pórticos e codas meditativas em cada capítulo, e frases que condensam a moral do conjunto com nitidez aforística: «Calar por medo é entregar a casa ao vento»; «vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar». No plano da obra completa, este díptico é decisivo por duas razões. Primeiro, porque fornece o repertório simbólico dos livros de poemas em prosa que se lhe seguem — O Reino Está Dentro e Fora é explicitamente a sua transposição lírica. Segundo, porque ilumina a tese XVIII do Manifesto pelo lado menos esperado: o estratega que analisa o poder eclesiástico do século IV com o mesmo rigor com que analisaria uma aliança contemporânea é também o crente que se recusa a separar rigor e ternura. A investigação sobre quem decidiu o cânon, «com que ganhos e com que perdas», é trabalho de análise estratégica aplicado à história da fé — mas conduzido por quem sente o que está em jogo em cada silenciamento. Fé adulta, aqui, é exactamente isso: inteligência que não deixou de amar aquilo que interroga.
Quotations from the book
“não por um clérigo, não por um académico”
“A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira”
“destes lugares, e não de outros”
“Calar por medo é entregar a casa ao vento”
“vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar”
“com que ganhos e com que perdas”
Other expressions quoted from the book
“à conversação humana”“apóstola das apóstolas”“Não somos livres de perguntar?”“crede ut intelligas”“a reabilitação tarda, mas chega”
Source: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico
Book details
- Genre
- Essay
- Axis of the work
- Poetry, Spirituality, and Meditation
- First published
- Pages
- 725 (English edition)
- Formats
- Kindle e-book · Paperback
- Languages
- 2 — Portuguese and English
- ISBN
- 979-8195167165




