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Kirjan ”Os Evangelhos Silenciados à luz dum leigo no Século XXI” kansi

Os Evangelhos Silenciados à luz dum leigo no Século XXI, Osa 1

”foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária”

Kirjasta – sitaatti on poimittu teokseen ”A Obra Comentada”
Sivumäärä
710 sivua
ISBN
ISBN 979-8198631878
Ensimmäinen julkaisu
Formaatit
Kindle ja nidottu

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Não somos livres de perguntar?
« A fé que se recusa a pensar não é fé: é hábito. »
— Adágio teológico contemporâneo
« Crede ut intelligas, intellige ut credas. »
— Agostinho de Hipona, Sermo 43

« Não foi a dúvida que fez de Tomé apóstata; foi a sua honestidade que o fez santo. »

— Voz do narrador

« A fé sem pensamento gera supersticiosos; o pensamento sem fé gera secos. »

— João Paulo II, Fides et Ratio (1998)
Não somos livres de perguntar?
« A fé que se recusa a pensar não é fé: é hábito. »
— Adágio teológico contemporâneo
« Crede ut intelligas, intellige ut credas. »
— Agostinho de Hipona, Sermo 43

« Não foi a dúvida que fez de Tomé apóstata; foi a sua honestidade que o fez santo. »

— Voz do narrador

« A fé sem pensamento gera supersticiosos; o pensamento sem fé gera secos. »

— João Paulo II, Fides et Ratio (1998)
A pergunta dos lugares humildes
Comecemos por uma pergunta tão antiga quanto a fé: é lícito perguntar?

A pergunta não é retórica, e não nos vem do escritório do filósofo nem da cátedra do teólogo. Vem dos lugares humildes onde a fé costuma morar. Vem da mesa de cozinha onde alguém, ao cair da tarde, abre a Bíblia que herdou da avó e pensa, sem dizer a ninguém, que há ali coisas que não compreende. Vem da igreja vazia onde alguém entra a meio da semana, no silêncio entre duas missas, e fica diante do crucifixo à espera de uma resposta que não vem. Vem do quarto de hospital onde alguém pergunta ao Deus que reza por que razão o filho não acordou. Vem da longa noite do crente que envelhece e não sabe se ainda crê, mas continua, por hábito ou por ternura, a benzer-se ao deitar.

É destes lugares — e não de outros — que esta obra parte. Não se escreve aqui a partir da suspeita, nem a partir da complacência. Não há, neste livro, nem o impulso polémico de quem quer demolir, nem a apologética conformista de quem quer apenas confirmar. Há, isso sim, a velha vontade humana de procurar — vontade que, no melhor da tradição cristã, sempre foi considerada irmã da fé e não sua inimiga.

A pergunta deste capítulo é simples e pesada. Temos o direito, enquanto crentes, enquanto cristãos, enquanto católicos, enquanto homens e mulheres formados por dois mil anos de tradição cristã, de interrogar a história do nosso próprio livro sagrado? De perguntar por que razão certos evangelhos foram escolhidos e outros postos de lado? De perguntar quem decidiu, em que circunstâncias, com que critérios, com que ganhos e com que perdas? Em suma: somos livres de perguntar, ou estamos obrigados, em silêncio respeitoso, a aceitar a forma final de uma decisão que foi tomada quando ainda não havia, na terra, ninguém com o nosso nome?

A resposta deste livro inteiro é uma só, e damo-la já: somos livres. Mais do que isso — somos chamados a sê-lo. A pergunta não é traição: é fidelidade na sua forma mais adulta. E o que se segue, nas páginas que vêm, é apenas a tentativa, lenta e cuidadosa, de mostrar que assim foi sempre na grande tradição cristã, mesmo quando os ventos da história sopravam noutra direcção. A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira. Não há, nas Escrituras, uma só personagem maior que não tenha perguntado. Não há, nos Padres, um só doutor que não tenha começado pelo quaestio. Não há, na história da Igreja, um só renascimento espiritual sério que não tenha começado pela ousadia de uma pergunta que outros consideravam fechada...

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Kriittinen luenta – ”A Obra Comentada” (2026)

Kolmannessa persoonassa kirjoitettu kriittinen luenta, joka on otettu teoksesta ”A Obra Comentada”, kirjailijan itse julkaisemasta kommentoidusta teosluettelosta. Kyseessä ei ole lehtiarvio.

Alkuperäinen teksti portugaliksi.

Obra monumental em dois volumes — mais de mil e seiscentas páginas no formato editorial —, Os Evangelhos Silenciados é o centro de gravidade espiritual de toda a produção de Hermínio Cerqueira e a matriz de que derivam vários livros deste eixo. O ponto de partida é histórico e quase romanesco: Dezembro de 1945, Alto Egipto, a enxada de Muhammad Ali al-Samman a bater numa jarra de barro com treze códices coptas — o Evangelho de Tomé, o de Maria, o de Filipe, o Apócrifo de João, vozes que a Carta Festal de Atanásio silenciara em 367 e que voltavam, intactas, «à conversação humana». O Volume I narra a travessia: a pluralidade do cristianismo primitivo, a construção do cânon de Ireneu a Constantino, a longa noite medieval e moderna, Tischendorf no Sinai, a viragem de Nag Hammadi. O Volume II entra no coração teológico: leitura demorada dos cinco apócrifos centrais, a reabilitação de Maria Madalena como «apóstola das apóstolas», a teologia do feminino divino, e o exercício mais ousado do conjunto — três cenários contrafactuais sobre o que teria sido a Igreja se estes evangelhos tivessem entrado no cânon.

Mas o que dá ao livro a sua fisionomia própria não é a erudição — que existe, em diálogo declarado com Pagels, Ehrman, King, Robinson — e sim o lugar de enunciação. O autor escreve, di-lo com honestidade desarmante, como leigo: «não por um clérigo, não por um académico», mas por alguém que «foi acumulando perguntas durante anos, sem encontrar livro que as recolhesse com a serenidade necessária». Daqui nasce a tese que estrutura os dois volumes e que é, no fundo, a tese espiritual de toda a obra: a pergunta não é o contrário da fé, é a sua forma respiratória. «A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira», escreve no primeiro capítulo, cujo título — «Não somos livres de perguntar?» — funciona como pórtico de tudo. O argumento é conduzido com um método que o próprio livro teoriza: a quaestio tomista, a fé que dá voz à objecção antes de responder. Desfilam Justino, Orígenes, Agostinho («crede ut intelligas»), Anselmo, Pascal; e desfila também a contra-história dos silenciados modernos — Teilhard, Congar, de Lubac, Küng —, lida com uma serenidade que recusa tanto o ressentimento como a apologética: «a reabilitação tarda, mas chega».

As imagens dominantes são domésticas e humildes — a mesa de cozinha onde alguém abre a Bíblia da avó, a igreja vazia a meio da semana, o quarto de hospital — porque é «destes lugares, e não de outros», que a obra parte. A prosa tem pórticos e codas meditativas em cada capítulo, e frases que condensam a moral do conjunto com nitidez aforística: «Calar por medo é entregar a casa ao vento»; «vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar». No plano da obra completa, este díptico é decisivo por duas razões. Primeiro, porque fornece o repertório simbólico dos livros de poemas em prosa que se lhe seguem — O Reino Está Dentro e Fora é explicitamente a sua transposição lírica. Segundo, porque ilumina a tese XVIII do Manifesto pelo lado menos esperado: o estratega que analisa o poder eclesiástico do século IV com o mesmo rigor com que analisaria uma aliança contemporânea é também o crente que se recusa a separar rigor e ternura. A investigação sobre quem decidiu o cânon, «com que ganhos e com que perdas», é trabalho de análise estratégica aplicado à história da fé — mas conduzido por quem sente o que está em jogo em cada silenciamento. Fé adulta, aqui, é exactamente isso: inteligência que não deixou de amar aquilo que interroga.

Sitaatteja kirjasta

  • ”não por um clérigo, não por um académico”

  • ”A pergunta é o oxigénio da fé adulta. Sem ela, a fé sufoca; com ela, respira”

  • ”destes lugares, e não de outros”

  • ”Calar por medo é entregar a casa ao vento”

  • ”vale mais um Job a interrogar do que um Elifaz a explicar”

  • ”com que ganhos e com que perdas”

Muita kirjasta lainattuja ilmauksia

”à conversação humana””apóstola das apóstolas””Não somos livres de perguntar?””crede ut intelligas””a reabilitação tarda, mas chega”

Lähde: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

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Essee
Ensimmäinen julkaisu
Sivumäärä
710 (painos: portugali)
Formaatit
Kindle-e-kirja · Painettu kirja (nidottu)
Kielet
2 — portugali ja englanti
ISBN
979-8198631878

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