
A Crise da Direita Democrática e o Encontro com a Extrema-Direita (2.ª Edição)
2026 · 553 páginas


Populismo, Pós-Verdade e a Crise da Democracia Liberal
Populism, Post-Truth, and the Crisis of Liberal Democracy
Disponible en 2 idiomas
«simultaneamente protagonista e sintoma — o homem que catalisou uma crise, mas também o produto de décadas de transformações que o precederam e que o sobreviverão»
Este livro resulta de uma investigação independente, sustentada por fontes académicas, jornalísticas e documentais de acesso público. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade do autor e não representam qualquer instituição ou organização.
Se ser idiota fosse um programa de TV, Trump seria uma série completa.
— Nate White
A democracia não morre com um estrondo; morre com um sussurro.
— Adaptação livre de T.S. Eliot
Este livro é, antes de mais, um acto de cidadania. Não um acto de cidadania americana — não sou americano, não voto nas eleições americanas, não vivi nos Estados Unidos.
— Trump, o Desruptor
Texto original en portugués.
Fuente: descripción editorial de la edición en portugués (Amazon).
Descripción de la edición original, en portugués. El texto continúa a partir del fragmento.
É um acto de cidadania democrática, que transcende fronteiras nacionais porque a ameaça que documenta também as transcende. Quando a democracia mais influente do mundo entra em crise, todas as democracias sentem o abalo. Quando o líder da maior potência nuclear do planeta governa com base em mentiras sistemáticas, todos os habitantes do planeta estão em risco. Quando um modelo de populismo autoritário é exportado com sucesso de Washington para Brasília, Budapeste, Nova Deli e Lisboa, a resistência também precisa de ser globalizada.
Comecei a trabalhar neste livro no final de 2025, alguns meses após o início do segundo mandato de Donald Trump. A motivação imediata foi a constatação de que, apesar da abundância de análises em língua inglesa, faltava uma obra em português que tratasse o fenómeno Trump com a profundidade, o rigor e a acessibilidade que o assunto merece. Os leitores lusófonos — em Portugal, no Brasil, em Angola, em Moçambique — não são espectadores passivos da crise democrática global; são participantes, voluntários ou involuntários, num processo que afecta as suas vidas, as suas economias e as suas democracias. Mereciam, portanto, um livro que lhes fosse directamente destinado.
A estrutura do livro reflecte uma convicção metodológica: o trumpismo é um fenómeno multidimensional que só pode ser compreendido na interseção de múltiplas perspectivas — histórica, sociológica, económica, comunicacional, institucional e geopolítica. Nenhuma explicação singular basta. Não é apenas a desindustrialização do Rust Belt; não é apenas o racismo latente da América branca; não é apenas a revolução digital e a fragmentação mediática; não é apenas a desigualdade obscena do capitalismo financeiro; não é apenas o oportunismo de um narcisista com talento para a televisão. É tudo isto ao mesmo tempo, numa combinação que é especificamente americana nas suas manifestações mas universal nas suas lições.
Sobre as fontes e a questão da objectividade
Uma palavra sobre a questão da objectividade, que será certamente levantada por alguns leitores. Este livro não pretende ser neutro. Parte de um compromisso explícito com os valores da democracia liberal, dos direitos humanos, da verdade factual e do pluralismo como bens públicos. Este compromisso não significa adesão a um partido ou a uma agenda política específica — significa que considero a erosão destes princípios, por qualquer actor político de qualquer signo ideológico, como um problema que merece análise crítica e resistência cívica.
A neutralidade perante a destruição de normas democráticas não é objectividade; é cumplicidade. Quando um presidente mente 30.573 vezes documentadas, descrever estas mentiras como controversas ou disputadas não é jornalismo equilibrado; é participação na desinformação. Quando milícias armadas atacam o Capitólio para reverter uma eleição, descrever o evento como protesto ou discurso legítimo não é equilíbrio; é normalização da violência. O compromisso deste livro é com a verdade factual e com a análise rigorosa — e quando a verdade e o rigor conduzem a conclusões que alguns considerarão parciais, aceito essa acusação como o preço de não ser cúmplice.
Edición en portugués:
Trump, o Desruptor
366 páginasKindle y tapa blanda
Edición en inglés:
Trump, the Disruptor
347 páginasKindle y tapa blanda
Texto original en portugués.
O ponto de partida deste livro é deliberadamente heterodoxo: o célebre ensaio viral do humorista britânico Nate White sobre a pergunta «porque é que os britânicos não gostam de Donald Trump?», a que o autor dedica um interlúdio inteiro de dissecação literária. White captou, argumenta Cerqueira, aquilo que as análises académicas falham: que «o problema com Trump não é ideológico; é ontológico» — a carência das qualidades humanas básicas que tornam possível a liderança responsável. Mas a indignação, por mais justa que seja, não substitui a análise; e é análise, «rigorosa, fundamentada e tão imparcial quanto uma posição assumidamente democrática permite», que o livro se propõe oferecer.
A tese central trata Trump como «simultaneamente protagonista e sintoma — o homem que catalisou uma crise, mas também o produto de décadas de transformações que o precederam e que o sobreviverão». Escrito no início de 2026, com o segundo mandato em curso, o livro não é biografia (o autor remete expressamente para Wolff, Woodward, Mary Trump e Haberman) nem previsão: é uma radiografia das forças estruturais que tornaram Trump possível e das consequências sistémicas da sua presidência, apresentada como momento que definirá o primeiro quartel do século XXI como a Grande Guerra definiu o do século XX.
A estrutura é a mais didáctica do eixo: cinco blocos e vinte e três capítulos, entremeados por oito interlúdios que funcionam como respirações narrativas — das «30.573 mentiras» documentadas pelo Washington Post aos «Retratos do Trumpismo: seis vidas americanas», passando pelas ferramentas de fact-checking para o cidadão. O Bloco I reconstitui a radicalização do conservadorismo americano de Buckley e Goldwater a Gingrich e ao Project 2025; o Bloco II faz a sociologia do ressentimento (Flint, o Rust Belt, a epidemia de opióides, o diploma como nova fronteira de classe); o Bloco III analisa a estética do populismo, a fábrica de mentiras e o universo QAnon; o Bloco IV documenta o assalto às instituições, do caso Merrick Garland ao 6 de Janeiro; o Bloco V globaliza o fenómeno — da guerra comercial com a China ao trumpismo como onda mundial. De particular interesse para o leitor português é o interlúdio «O Trumpismo em Português: de Bolsonaro a Chega», que documenta como o partido de André Ventura «replicava fielmente o playbook de Trump», crescendo de 1% em 2019 para 18% em 2024.
Os diálogos intelectuais mobilizam a ciência política da regressão democrática (os dados da Freedom House e da Economist Intelligence Unit sobre o retrocesso global sincronizado), a literatura do populismo e a investigação sobre desinformação, mas o tom mantém-se acessível: o livro assume-se como instrumento cívico, culminando num posfácio em forma de carta ao leitor europeu e num epílogo epistolar — «Cartas ao Futuro: o que diremos aos nossos netos». A conclusão dá o título ao gesto de todo o eixo: «A Democracia é um Verbo» — não um dom adquirido, mas um exercício renovado. No conjunto da obra, é a porta de entrada do Eixo 4: o livro que estabelece o diagnóstico estrutural que o Perfil Psicológico aprofunda no plano individual e que a Crise da Direita Democrática transpõe para Portugal.
«porque é que os britânicos não gostam de Donald Trump?»
«o problema com Trump não é ideológico; é ontológico»
«rigorosa, fundamentada e tão imparcial quanto uma posição assumidamente democrática permite»
«Retratos do Trumpismo: seis vidas americanas»
«O Trumpismo em Português: de Bolsonaro a Chega»
«replicava fielmente o playbook de Trump»
«Cartas ao Futuro: o que diremos aos nossos netos»
«30.573 mentiras»«A Democracia é um Verbo»
Fuente: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

2026 · 553 páginas

2026 · 724 páginas

2026 · 643 páginas
