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Estratto

OLHAI O CIRCO

Da Circo dos Fachos · aprile 2026

A poeira sobe da pista quando a carroça enferrujada irrompe na praça antiga. Trazem-na bois de vidro, mas dentro arde uma caldeira de mentiras. O fumo tem nome: Medo. O ferro tem nome: Histeria. O bronze rachado tem nome: Divisão. E nos rebites soltos sussurra a quarta peça — Mentiras, sempre Mentiras, mãe e filha de si mesmas, parindo-se em ciclo perfeito como as serpentes que mordem a própria cauda.

Saltam para o estrado três bonecos vestidos de gente. Sorriem como espelhos rachados. Acenam com mãos compradas em saldo. Por baixo do verniz, vê-se a madeira podre. Por baixo da madeira, vê-se o carcomido. E por baixo de tudo um vazio mineral, sem fundo, onde o eco repete a velha ordem do mando: obedece, cala-te, agradece.

Olhai o circo. Olhai-o bem. Não é a primeira vez que entra em cena, e talvez não seja a última. Mas hoje, à beira da pista, há um menino que não bate palmas. Hoje, na poeira, há uma mulher que não chora. Hoje, no fundo da praça, há um velho que se lembra de Abril — e basta lembrar para a carroça começar, pouco a pouco, a desfazer-se em ferro velho e em vergonha.

Nota editoriale

Fonte: descrizione editoriale del libro su Amazon (testo del libro stesso).

Testo riprodotto senza modifiche. Testo originale in portoghese.