

Humanos e Humanoides, Deel 1
- Pagina’s
- 608 pagina’s
- ISBN
- ISBN 979-8171163273
- Eerste publicatie
- Uitvoeringen
- Kindle en paperback
Fragment
O livro começou por uma pergunta que não consegui arrumar: quem controla a inteligência artificial e como são distribuídos os seus benefícios e os seus riscos? Não é uma pergunta técnica, embora quase todas as suas ramificações exijam resposta técnica. É uma pergunta sobre propriedade, sobre direito e sobre a repartição do produto do trabalho. Colocou-se perante o tear mecânico, perante o motor eléctrico e perante o computador de secretária, e de cada vez recebeu resposta diferente, conforme a força relativa de quem a fez. A interrogação não me chegou por via da leitura.
— Humanos e Humanoides — Deel 1
Oorspronkelijke tekst in het Portugees.
Redactionele noot
Bron: uitgeversbeschrijving van de editie in het Portugees (Amazon).
Over het boek
Beschrijving uit de oorspronkelijke editie, in het Portugees. De tekst gaat na dit fragment verder.
Chegou pela observação de uma coisa simples e desconcertante: em pouco mais de uma vida, vi o trabalho ser redefinido três vezes no mesmo território, e da terceira vez percebi que já não sabia dizer o que restaria por fazer. Esse desconforto — não o entusiasmo, não o alarme ,é a origem destas páginas. Escrevo de um lugar concreto, e isso condiciona tudo o que se segue. Cresci num país onde o futuro era, sobretudo, aquilo que acontecia noutro sítio. A ditadura fez da escassez uma pedagogia e da ignorância uma política: limitava-se o acesso ao ensino, controlava-se a informação, e a emigração funcionava como válvula de escape de uma economia que não tinha para onde crescer. Retive dessa altura uma lição que atravessa o livro inteiro: decidir quem pode saber é já decidir quem pode mandar. A distribuição do conhecimento nunca foi neutra, e não passou a sê-lo por ter mudado de suporte. Depois veio a industrialização tardia. Nas décadas que se seguiram a 1974, e sobretudo após a adesão à Comunidade Económica Europeia em 1986, o Minho encheu-se de unidades têxteis, de confecção e de calçado. Vi máquinas chegarem em segunda mão, vi pavilhões erguidos em terrenos que tinham sido milho, vi salários baixos serem apresentados como vantagem competitiva e vi essa vantagem desfazer-se mal apareceu quem produzisse mais barato. Foi ali que aprendi a distinguir dois usos possíveis de uma tecnologia: adoptá-la como substituto de salário, sem alterar a organização do trabalho, ou adoptá-la como complemento de qualificação, mudando aquilo que as pessoas fazem. A primeira via dá resultados imediatos e esgota-se; a segunda é lenta, cara e cumulativa. Portugal escolheu maioritariamente a primeira, e a factura chegou com atraso. A informatização foi o terceiro tempo. Os terminais entraram nos escritórios, a folha de cálculo substituiu livros de registo inteiros, funções administrativas que ocupavam pessoas a tempo inteiro reduziram-se a um procedimento. Prometia-se tempo libertado. O tempo foi efectivamente libertado, mas quase nunca para quem o perdera: os ganhos de produtividade existiram e a sua distribuição não foi automática. Guardei disso a desconfiança perante qualquer promessa técnica formulada sem sujeito — quem ganha, quem paga, em que prazo, sob que regra.
O que agora se passa tem uma diferença de natureza, não apenas de grau. As vagas anteriores substituíram força e repetição; esta incide sobre operações que sempre classificámos como intelectuais: redigir, classificar, resumir, traduzir, propor. O Fundo Monetário Internacional estimou, em Janeiro de 2024, que cerca de 40% do emprego mundial está exposto à inteligência artificial, proporção que sobe para perto de 60% nas economias avançadas, precisamente por serem as que concentram ocupações de tarefa cognitiva. A exposição não é destruição — parte dela é complementaridade, e essa distinção ocupa boa parte deste livro, mas obriga a olhar para o país onde escrevo. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2025 utilizavam inteligência artificial 11,5% das empresas portuguesas com dez ou mais pessoas ao serviço; e, de acordo com dados do Eurostat, a produtividade por hora trabalhada em Portugal situava-se nesse ano em 66,9% da média da União Europeia a vinte e sete. Uma economia de empresas pequenas, com défice de qualificação e forte dependência de custos baixos, não enfrenta esta transição em condições de igualdade.
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Editie in het Portugees:
Humanos e Humanoides
608 pagina’sKindle en paperback
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Boekgegevens
- Genre
- Essay
- As van het werk
- Kunstmatige intelligentie
- Eerste publicatie
- Pagina’s
- 608 (editie in het Portugees)
- Uitvoeringen
- Kindle-editie · Gedrukt boek (paperback)
- Talen
- 1 — Portugees
- ISBN
- 979-8171163273



