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Omslag van het boek “Perdoar só é Real se for também Esquecer”

Perdoar só é Real se for também Esquecer

“culpa, reparação, amor, memória e libertação”

Uit het boek — citaat geselecteerd in “A Obra Comentada”
Pagina’s
175 pagina’s
ISBN
ISBN 979-8195613211
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Fragment

Perdoar não é negar a ferida.
É impedir que ela se torne o nosso único nome.
Esquecer não é apagar o que aconteceu.
É retirar ao passado o direito de continuar a ferir.
A Porta que Só se Abre por Dentro

Há uma porta no coração humano cuja chave nunca esteve do nosso lado. É a porta do outro — daquele que magoámos, daquele que nos magoou, daquele que agora se cala diante da nossa pressa de absolvição. Pedir perdão é, antes de mais, aprender a parar diante dessa porta. Aprender que o nosso arrependimento, por mais sincero que seja, não obriga ninguém a abrir.

Pedir perdão não é negociar uma saída.

— Perdoar só é Real se for também Esquecer

Oorspronkelijke tekst in het Portugees.

Redactionele noot

Bron: uitgeversbeschrijving van de editie in het Portugees (Amazon).

Over het boek

Beschrijving uit de oorspronkelijke editie, in het Portugees. De tekst gaat na dit fragment verder.

É reconhecer, sem teatro e sem retórica, que houve um instante em que fomos menos do que aquilo que prometemos ser. É deixar cair a couraça das justificações e oferecer ao outro a única coisa que ainda nos pertence depois do dano: uma verdade nua, sem ornamentos, sem chantagem.

E quem perdoa também atravessa uma porta. Mas a sua porta é interior. Não tem o dever sagrado de a abrir. Tem o direito sagrado de ainda doer. O perdão não é uma obrigação que se reclama; é uma possibilidade que pode demorar todo o tempo de uma vida — e ainda assim ser legítima.

A humanidade começa quando alguém diz «fiz mal» sem disfarce, e outro alguém, sem negar a ferida, responde: «não quero que esta dor governe o resto da minha vida». Nesse instante, dois seres aprendem que o perdão não apaga a história — recompõe-na. Não devolve a inocência — devolve o futuro.

Este livro é um caminhar lento até essa porta. Não a abre por dentro de quem lê; ensina apenas a aproximação. Porque há feridas que se calam mas nunca cicatrizam de todo. Há ofensas que voltam, anos depois, na hora da insónia, com a precisão exacta de uma pequena lâmina antiga. E há, contudo, em cada ser humano, um lugar em que o ódio cansa e a vingança se desnuda como um vestido demasiado pesado.

Aí, na fronteira entre a mágoa e a paz, este livro deseja morar. Não como mestre, mas como companhia. Não para ensinar a perdoar, mas para fazer companhia a quem aprende — palavra a palavra, soneto a soneto, silêncio a silêncio — que perdoar é, talvez, a última e mais difícil forma de continuar a amar a vida.

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Kritische lezing — “A Obra Comentada” (2026)

Een kritische lezing in de derde persoon, overgenomen uit “A Obra Comentada”, de geannoteerde catalogus van het werk die de auteur zelf heeft uitgegeven. Het gaat niet om een persrecensie.

Oorspronkelijke tekst in het Portugees.

Livro de arquitectura clássica e assunto incandescente, Perdoar Só É Real Se For Também Esquecer organiza-se em prólogo, dez ciclos e epílogo: dez poemas em prosa e cem sonetos sobre «culpa, reparação, amor, memória e libertação». Cada ciclo isola um momento do processo — a ferida, a culpa, o pedido de perdão, a verdade e a ternura, o perdão difícil, o esquecer — e desdobra-o num poema em prosa e dez sonetos. A epígrafe fixa desde logo a tese, com o gosto do autor pela definição dupla: «Perdoar não é negar a ferida. É impedir que ela se torne o nosso único nome.» E, sobre a segunda metade do título, a mais arriscada: «Esquecer não é apagar o que aconteceu. É retirar ao passado o direito de continuar a ferir.»

O prólogo, «A Porta que Só se Abre por Dentro», é das páginas mais maduras da lírica do autor, porque recusa as duas tentações do género: nem apologia do perdão obrigatório, nem cultivo da mágoa. Quem perdoa «não tem o dever sagrado de a abrir [a porta]. Tem o direito sagrado de ainda doer.» E quem pede perdão aprende que «o nosso arrependimento, por mais sincero que seja, não obriga ninguém a abrir». Há aqui uma ética do perdão de sabor simultaneamente evangélico e humanista — o subtítulo fala de «meditação humanista» —, atenta à assimetria entre ofensor e ofendido, ao «direito de não perdoar» (título de um dos sonetos do terceiro ciclo), à diferença entre reconciliação e capitulação: «Perdoar não é abrir as correntes do carrasco», diz o poema em prosa do quinto ciclo.

Os sonetos, em decassílabo clássico, trabalham a ferida com imagens domésticas — a mesa, o pão, a carta rasgada, a casa desabitada — herdeiras da cena primordial de toda a obra: a casa onde «a palavra caiu». O primeiro soneto do primeiro ciclo dá o tom elegíaco: a dor «se cala, mas dói como uma vela / que arde sozinha — e nunca arde igual». E o terceiro, «A Mesa Vazia», encerra com um dos versos mais tocantes do livro: «o nosso amor — vivo ainda, porém menor». No plano da obra completa, este é o livro em que a espiritualidade do eixo desce ao terreno mais difícil: não o silêncio do mosteiro, mas o silêncio frio entre duas pessoas que se amaram. A ligação à tese XVIII é directa e quase literal: o perdão é aqui descrito como acto estratégico do coração — avaliação lúcida do dano, recusa do rancor como política de vida, reconstrução do futuro. Um perdão «só calculado» seria negociação; um perdão sentido e pensado é o que o livro chama, no epílogo, «a última forma de amor».

Citaten uit het boek

  • “Esquecer não é apagar o que aconteceu. É retirar ao passado o direito de continuar a ferir.”

  • “Perdoar não é negar a ferida. É impedir que ela se torne o nosso único nome.”

  • “A Porta que Só se Abre por Dentro”

  • “não tem o dever sagrado de a abrir [a porta]. Tem o direito sagrado de ainda doer.”

  • “o nosso arrependimento, por mais sincero que seja, não obriga ninguém a abrir”

  • “Perdoar não é abrir as correntes do carrasco”

  • “se cala, mas dói como uma vela / que arde sozinha — e nunca arde igual”

  • “o nosso amor — vivo ainda, porém menor”

Andere geciteerde uitdrukkingen uit het boek

“meditação humanista”“direito de não perdoar”“a palavra caiu”“A Mesa Vazia”“só calculado”“a última forma de amor”

Bron: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Boekgegevens

Genre
Poëzie
Eerste publicatie
Pagina’s
175 (editie in het Portugees)
Uitvoeringen
Kindle-editie · Gedrukt boek (paperback)
Talen
1 — Portugees
ISBN
979-8195613211

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