
O Regresso das Caravelas do Pensamento
2026 · 563 pagina’s · in het Portugees

“Não sou o que penso. Sou aquilo que escuta. / Não sou a palavra. Sou o ar que a sustenta.”
Beschrijving uit de oorspronkelijke editie, in het Portugees.
Não existem outros seres além de ti.
Mas tu és todos eles.
— Huang Po
O dedo que aponta para a lua não é a lua.
Que estas páginas sejam dedos —
e o leitor, ao lê-las, esqueça o dedo.
Este livro é uma travessia. Vinte e cinco janelas para um mesmo silêncio. Cada janela tem a forma de um poema em prosa — pequena clareira aberta para o leitor se demorar — e, em seguida, cinco sonetos em alexandrinos, que voltam ao mesmo motivo de cinco modos diferentes, como cinco maneiras de olhar a mesma pedra. Os temas vêm da contemplação Zen: instantes em que o pensamento ainda não se formou, sombras que se desfazem sem queixa, sinos que se ouvem sem chegar, mãos que soltam sem o saber. Foram escritos com extrema economia de linguagem, imagens concretas, cortes súbitos como kireji do haiku, e uma tensão constante entre o que está presente e o que permanece em ausência. Não querem ser explicação. Querem ser dedo a apontar.
Inspirado em “O Despertar do Silêncio — Ensaios sobre o Sofrimento, o Não-Apego e a Presença“. livro por mim já editado.
Editie in het Portugees:
Poesia Zen
183 pagina’sKindle en paperback
Oorspronkelijke tekst in het Portugees.
Poesia Zen é o livro formalmente mais rigoroso e mais original do eixo: vinte e cinco poemas em prosa, cada um seguido de cinco sonetos alexandrinos — cento e vinte e cinco sonetos ao todo —, que voltam ao mesmo motivo «de cinco modos diferentes, como cinco maneiras de olhar a mesma pedra». A nota do autor descreve o programa com exactidão: temas vindos da contemplação zen, «extrema economia de linguagem, imagens concretas, cortes súbitos como kireji do haiku», e a ambição de não explicar: «Não querem ser explicação. Querem ser dedo a apontar.» Os títulos das vinte e cinco estações compõem, só por si, um pequeno tratado de fenomenologia contemplativa: «O instante antes do pensamento nascer», «A impermanência de uma sombra ao entardecer», «A folha que cai sem testemunhas», «A mão que solta sem o saber», «O sino que continua a ressoar depois da pancada».
A peça de abertura é exemplar do método. O poema em prosa reduz-se a uma cena mínima — «Chávena. Vapor. Sol no rebordo. Não há ninguém para a pensar.» — e a um imperativo paradoxal que é puro koan: «Senta-te no parapeito. Não no pardal.» Os cinco sonetos seguintes glosam o «vão antes do nome» com uma nitidez que junta a tradição mística ocidental (a apófase, o não-saber) à atenção zen ao concreto: «Não sou o que penso. Sou aquilo que escuta. / Não sou a palavra. Sou o ar que a sustenta.» A tensão fecunda do livro está justamente aqui: usar a forma mais codificada e retórica da tradição europeia — o soneto alexandrino — para dizer a experiência anterior a toda a codificação. O verso «Antes do nome, o pássaro já te tinha sorrido» resume esse contrabando entre tradições: sintaxe camoniana, sensibilidade de Bashô.
A colecção fecha em anel: o último ciclo, «A primeira luz na fronteira da noite», retoma a vigília inaugural — «Acordei antes da hora. A noite ainda durava.» — e conclui: «Foi assim que terminei este livro. Foi assim que começou.» Explicitamente inspirado nos ensaios de O Despertar do Silêncio, o volume é a sua destilação: onde o ensaio argumentava a presença, o soneto pratica-a. No plano da obra completa, Poesia Zen é também o laboratório métrico do autor — a disciplina da forma fixa que reaparecerá nos cem sonetos de A Cintilação das Almas e nas oitavas das Caravelas. E é, de novo, a tese XVIII por outra via: a atenção ao instante, ao intervalo entre dois batimentos, é a mesma qualidade de escuta que o Manifesto exige ao estratega. Quem não sabe ver a chávena antes do nome também não verá o mundo antes da doutrina.
“de cinco modos diferentes, como cinco maneiras de olhar a mesma pedra”
“extrema economia de linguagem, imagens concretas, cortes súbitos como kireji do haiku”
“Não querem ser explicação. Querem ser dedo a apontar.”
“O instante antes do pensamento nascer”
“A impermanência de uma sombra ao entardecer”
“A folha que cai sem testemunhas”
“A mão que solta sem o saber”
“O sino que continua a ressoar depois da pancada”
“Chávena. Vapor. Sol no rebordo. Não há ninguém para a pensar.”
“Senta-te no parapeito. Não no pardal.”
“Antes do nome, o pássaro já te tinha sorrido”
“A primeira luz na fronteira da noite”
“Acordei antes da hora. A noite ainda durava.”
“Foi assim que terminei este livro. Foi assim que começou.”
“vão antes do nome”
Bron: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

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