Há uma hora estranha, ao fim da subida, em que o caminhante chega ao cume e descobre que o cume não era o fim. Imaginara-o como um lugar de chegada, uma varanda definitiva sobre o mundo, e durante muito tempo caminhou apenas para lá chegar. Mas eis que, ao pisar o ponto mais alto, vê outra coisa: o horizonte recuou, abriram-se vales que não conhecia, e a senda, longe de terminar, desce do outro lado e continua. O cume não era uma porta fechada. Era uma soleira.
Redactionele noot
Aard van de tekst: Poëtisch proza (opening).
Bron: uitgeversbeschrijving van het boek op Amazon (tekst uit het boek zelf).
Tekst ongewijzigd weergegeven. Oorspronkelijke tekst in het Portugees.