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Cover der Ausgabe auf Deutsch von „Strategische Autonomie aus der Europäischen Union und aus Portugal“

Strategische Autonomie aus der Europäischen Union und aus Portugal

Abhängigkeiten, Schwächen und Optionen der Souveränität im 21. Jahrhundert

„O livro fecha; o trabalho começa.“

Aus dem Buch – Zitat ausgewählt in „A Obra Comentada“
Seiten
807 Seiten
ISBN
ISBN 979-8180744456
Erschienen
Formate
Kindle und Taschenbuch

Über das Buch

Mit der Ausgabe auf Deutsch veröffentlichter Text (Amazon).

Zum Gedenken an diejenigen, die es vor vielen anderen verstanden haben,
dass europäische Souveränität keine Nostalgie ist

Aber die einzige Möglichkeit, dies im 21. Jahrhundert aufrechtzuerhalten,

Die Möglichkeit, über die Zukunft nachzudenken.
Ein Europa im Spannungsfeld zwischen Dringlichkeit und Zögern.
Ein Wort, das aus dem Meer kam.

Manche politische Ausdrücke finden ihren Weg in den öffentlichen Sprachgebrauch langsam und fast still durch die Archive, andere wiederum entstehen an einem bestimmten Ort, einem bestimmten Datum, einem Handschlag, der sich später als historisch erweisen wird. Die strategische Autonomie Europas gehört zu dieser zweiten Kategorie. Symbolisch wurde sie am Meer geboren: im befestigten Hafen von Saint-Malo, im äußersten Norden der Bretagne, an einem kalten Wochenende im Dezember 1998. Dort trafen sich der französische Präsident Jacques Chirac und der britische Premierminister Tony Blair, um erstmals gemeinsam und formell anzuerkennen, dass die Europäische Union die Fähigkeit zu autonomem Handeln besitzen sollte, gestützt auf verlässliche Streitkräfte, die Mittel, über deren Einsatz zu entscheiden, und den Willen, dies auch zu tun, um auf internationale Krisen zu reagieren (CVCE, 1998). In diesem Moment öffneten zwei Länder, die sich historisch in fast allen Fragen der europäischen Verteidigung uneinig waren, einen Spalt der Verständigung. Aus diesem Spalt sollte sich in den folgenden zweieinhalb Jahrzehnten ein ganzes konzeptionelles, institutionelles und politisches Gebilde entwickeln.

Es liegt heute nahe, Saint-Malo als den Beginn einer unausweichlichen Entwicklung zu betrachten. Doch die Wahrheit ist, dass Ende 1998 niemand die genaue Abfolge der Ereignisse vorhersehen konnte. Im Juni 1999 fand der Europäische Rat in Köln statt, im Dezember desselben Jahres der Rat von Helsinki mit seinem Hauptziel von 60.000 Mitarbeitern. Darauf folgte die Europäische Sicherheits- und Verteidigungspolitik (ESVP), die 2003 institutionalisiert und mit dem Vertrag von Lissabon in eine Gemeinsame Sicherheits- und Verteidigungspolitik (GSVP) umgewandelt wurde. Anschließend kamen die Globale Strategie von 2016, die 2017 ins Leben gerufene Ständige Strukturierte Zusammenarbeit, der Europäische Verteidigungsfonds von 2018 und der Strategische Kompass von 2022 hinzu. Schließlich wurde im März 2025 das Weißbuch zur Europäischen Verteidigung – Bereitschaft 2030 von Kaja Kallas und Andrius Kubilius vorgelegt (Europäische Kommission, 2025). Saint-Malo war ein Versprechen, dessen Erfüllung lange dauerte, dessen Bedeutung aber bis heute im europäischen Sprachgebrauch verankert ist.

Die maritime Herkunft des Ausdrucks ist bezeichnend. In der europäischen politischen Geographie ist das Meer zugleich Grenze und Brücke, Ausgangspunkt und Verteidigungslinie. Strategische Autonomie ist wie das Meer ambivalent: Sie kann trennen oder verbinden, Hindernis oder Weg sein. Nichts daran ist eindeutig. Saint-Malo erklärte keinen Bruch mit dem Atlantischen Bündnis; im Gegenteil, es bekräftigte, dass die NATO weiterhin das Fundament der kollektiven Verteidigung ihrer Mitglieder bilde. Doch es deutete mit fast liturgischer Sorgfalt an, dass Europa auch dann handeln können müsse, wenn die Vereinigten Staaten nicht handeln wollten oder konnten. Diese Andeutung, im selbstgefälligen Kontext der Nachkriegszeit irrelevant, sollte kaum mehr als ein Vierteljahrhundert später zum zentralen Thema der europäischen Außenpolitik werden...

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Kritische Lektüre – „A Obra Comentada“ (2026)

Eine kritische Lektüre in der dritten Person, übernommen aus „A Obra Comentada“, dem vom Autor selbst veröffentlichten kommentierten Werkverzeichnis. Es handelt sich nicht um eine Pressekritik.

Originaltext auf Portugiesisch.

É o livro mais traduzido de todo o catálogo — publicado em português, inglês, francês, espanhol e alemão, como se o autor tivesse querido que a sua tese europeia circulasse em todas as grandes línguas da própria União — e é também, porventura, o mais arquitectado. Concluído em Lisboa em Maio de 2026, o volume abre com uma evocação de Saint-Malo, o porto bretão onde, em Dezembro de 1998, Chirac e Blair reconheceram pela primeira vez que a União Europeia devia possuir capacidade de acção autónoma. Dessa «palavra que veio do mar» o autor extrai toda a genealogia do conceito — de Colónia e Helsínquia ao Tratado de Lisboa, da Estratégia Global de Mogherini à Bússola Estratégica e ao Livro Branco Readiness 2030 — para chegar ao momento presente, em que o regresso de Trump à Casa Branca transformou uma insinuação diplomática em condição de sobrevivência política.

A tese central é enunciada com rara disciplina em três proposições articuladas: a autonomia estratégica europeia é necessária — não como opção entre outras, mas como condição de sobrevivência do projecto europeu; é incompleta — porque a sua arquitectura institucional, industrial e orçamental está longe das exigências do contexto; e é assimétrica — porque distribui custos e benefícios de modo profundamente desigual entre Estados-membros, com Portugal a ocupar nesse mapa uma posição que exige reflexão própria. Esta terceira proposição é, reconhece o autor, a menos discutida na literatura e a mais original do livro: enquanto a maior parte das análises trata a União como entidade homogénea, Cerqueira mostra como o Fundo Europeu de Defesa beneficia massivamente a indústria francesa e deixa «migalhas» à portuguesa. Contra o triunfalismo declarativo, o derrotismo cínico e o federalismo voluntarista — as três tentações que recusa expressamente — o livro lembra que «a soberania não se decreta: conquista-se, exerce-se, paga-se».

A estrutura é enciclopédica e sistemática: uma introdução conceptual, quinze capítulos e uma conclusão em nove andamentos, apoiados numa bibliografia consolidada de centenas de entradas em sistema autor-data. Os capítulos 1 a 9 percorrem, vector a vector, as dependências europeias — defesa (PESCO, CARD, FED, ReArm Europe), energia (REPowerEU, o apagão ibérico de Abril de 2025), indústria e matérias-primas críticas, tecnologia digital e semicondutores, saúde, alimentação e finanças (SWIFT, euro digital, activos russos congelados). Os capítulos 10 a 13 fazem o mesmo exercício para Portugal — os três pilares UE/NATO/CPLP, as Forças Armadas e a emergência da Tekever, Sines e os cabos submarinos, o PRR e a fuga de cérebros. O capítulo 14 formula uma verdadeira doutrina nacional em oito eixos, com proposta de uma Lei de Bases da Autonomia Estratégica, calendário e indicadores; o capítulo 15 ensaia seis cenários prospectivos, da «autonomia reforçada» à «cisão atlântica» de um Trump permanente.

O diálogo intelectual é denso e explícito: as três imagens de Daniel Fiott (responsabilização, precaução, emancipação) fornecem a grelha conceptual; Howorth, Tocci, Biscop, Mölling e Lippert estruturam o debate académico; os relatórios Draghi e Letta de 2024 dão dimensão institucional ao diagnóstico; e, num gesto raro no ensaísmo estratégico português, o autor visibiliza deliberadamente a produção nacional — a revista Nação e Defesa do IDN, os estudos de Mafalda Pinheiro Alves, a EuroDefense Portugal, o IPRI e o ICS. O registo oscila, por escolha assumida de método, entre o técnico e o ensaístico: a autonomia estratégica é «simultaneamente matéria técnica e matéria cívica», e reduzi-la a uma só dimensão seria subtraí-la ao debate democrático ou ao rigor que merece.

No conjunto da obra, este é o livro-charneira do eixo europeu: retoma o diagnóstico das dependências desenvolvido nos livros geopolíticos e antecipa tanto a crítica orçamental do Mito dos 3% como o programa decenal da Esperança Lúcida. A coda literária — o regresso ao mar de Saint-Malo, que é também o mar de Sagres e dos Açores — devolve a matéria técnica à identidade marítima portuguesa e fecha com uma das frases mais citáveis do catálogo: «O livro fecha; o trabalho começa.» Entre o pessimismo dos vencidos e o optimismo dos ingénuos, Cerqueira propõe a serenidade de quem sabe o que está em jogo — e a convicção de que, para um pequeno Estado atlântico, a escolha real não é entre adesão ou recusa à autonomia europeia, mas entre uma adesão passiva e instrumental e uma adesão activa que faça de Portugal coarquitecto, à sua escala, da nova soberania continental.

Zitate aus dem Buch

  • „a soberania não se decreta: conquista-se, exerce-se, paga-se“

  • „simultaneamente matéria técnica e matéria cívica“

Weitere zitierte Wendungen aus dem Buch

„palavra que veio do mar“„migalhas“„autonomia reforçada“„cisão atlântica“

Quelle: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Bibliografische Angaben

Gattung
Essay
Erstveröffentlichung
Seiten
807 (Ausgabe auf Deutsch)
Formate
Kindle-E-Book · Taschenbuch
Sprachen
6 — Portugiesisch, Englisch, Französisch, Spanisch, Deutsch und Italienisch
ISBN
979-8180744456

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