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Copertina dell’edizione in italiano di «Autonomia strategica dall’Unione europea e dal Portogallo»

Autonomia strategica dall’Unione europea e dal Portogallo

Dipendenze, punti deboli e opzioni della sovranità nel XXI secolo

«O livro fecha; o trabalho começa.»

Dal libro — citazione scelta in «A Obra Comentada»
Pagine
749 pagine
ISBN
ISBN 979-8189648182
Pubblicazione
Formati
Kindle e copertina flessibile

Il libro

Testo pubblicato con l’edizione in italiano (Amazon).

In memoria di coloro che capirono, prima di molti altri,
che la sovranità europea non è nostalgia,
ma l'unico modo per mantenersi, nel XXI secolo,
La possibilità di pensare al futuro.

Esistono espressioni politiche che entrano nel vocabolario pubblico attraverso la porta degli archivi, lentamente, quasi silenziosamente, e altre che emergono da un luogo specifico, una data, una stretta di mano che in seguito si rivelerà storica. L'autonomia strategica europea appartiene a questa seconda famiglia. È nata, simbolicamente, in riva al mare: nel porto fortificato di Saint-Malo, nell'estremo nord della Bretagna, in un freddo fine settimana di dicembre del 1998. Fu lì che il presidente francese Jacques Chirac e il primo ministro britannico Tony Blair si incontrarono per riconoscere, per la prima volta congiuntamente e formalmente, che l'Unione europea avrebbe dovuto possedere la capacità di agire autonomamente, supportata da forze militari credibili, i mezzi per decidere di impiegarle e la volontà di farlo, al fine di rispondere alle crisi internazionali (CVCE, 1998). In quel momento, due paesi che storicamente erano in disaccordo su quasi tutto nel campo della difesa europea aprirono una breccia di comprensione. Da questa breccia sarebbe emerso, nell'arco di due decenni e mezzo, un intero edificio concettuale, istituzionale e politico.

Oggi è facile guardare a Saint-Malo come al momento inaugurale di una traiettoria inevitabile. Ma la verità è che, alla fine del 1998, nessuno aveva previsto l'esatta sequenza che ne sarebbe seguita. Il Consiglio europeo di Colonia si è tenuto nel giugno del 1999, seguito dal Consiglio di Helsinki nel dicembre dello stesso anno, quest'ultimo con il suo obiettivo principale di sessantamila effettivi. A questo ha fatto seguito la Politica europea di sicurezza e difesa (PESD), istituzionalizzata nel 2003, e la sua trasformazione in Politica comune di sicurezza e difesa (PSDC) con il Trattato di Lisbona. Poi sono arrivate la Strategia globale del 2016, la Cooperazione strutturata permanente lanciata nel 2017, il Fondo europeo di difesa nel 2018 e la Bussola strategica nel 2022. Infine, il Libro bianco sulla difesa europea - Prontezza 2030, presentato da Kaja Kallas e Andrius Kubilius nel marzo 2025 (Commissione europea, 2025). Saint-Malo è stata una promessa che ha impiegato molto tempo a realizzarsi, ma il cui significato non ha mai abbandonato il vocabolario europeo.

C'è qualcosa di sintomatico nell'origine marittima dell'espressione. Nella geografia politica europea, il mare è al contempo confine e ponte, punto di partenza e linea di difesa. L'autonomia strategica, come il mare, è ambigua: può separare o unire, può essere un ostacolo o una via. Nulla in essa è univoco. Saint-Malo non dichiarò una rottura con l'Alleanza Atlantica; al contrario, ribadì che la NATO continuava a essere il fondamento della difesa collettiva dei suoi membri. Ma alluse, con una cura quasi liturgica, alla possibilità per l'Europa di agire anche quando gli Stati Uniti non volevano o non potevano agire. Questo accenno, irrilevante nel contesto compiacente dell'era post-Guerra Fredda, sarebbe diventato, poco più di un quarto di secolo dopo, la questione centrale della politica estera europea.

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Lettura critica — «A Obra Comentada» (2026)

Lettura critica in terza persona, riprodotta da «A Obra Comentada», il catalogo commentato dell’opera pubblicato dall’autore stesso. Non si tratta di una recensione giornalistica.

Testo originale in portoghese.

É o livro mais traduzido de todo o catálogo — publicado em português, inglês, francês, espanhol e alemão, como se o autor tivesse querido que a sua tese europeia circulasse em todas as grandes línguas da própria União — e é também, porventura, o mais arquitectado. Concluído em Lisboa em Maio de 2026, o volume abre com uma evocação de Saint-Malo, o porto bretão onde, em Dezembro de 1998, Chirac e Blair reconheceram pela primeira vez que a União Europeia devia possuir capacidade de acção autónoma. Dessa «palavra que veio do mar» o autor extrai toda a genealogia do conceito — de Colónia e Helsínquia ao Tratado de Lisboa, da Estratégia Global de Mogherini à Bússola Estratégica e ao Livro Branco Readiness 2030 — para chegar ao momento presente, em que o regresso de Trump à Casa Branca transformou uma insinuação diplomática em condição de sobrevivência política.

A tese central é enunciada com rara disciplina em três proposições articuladas: a autonomia estratégica europeia é necessária — não como opção entre outras, mas como condição de sobrevivência do projecto europeu; é incompleta — porque a sua arquitectura institucional, industrial e orçamental está longe das exigências do contexto; e é assimétrica — porque distribui custos e benefícios de modo profundamente desigual entre Estados-membros, com Portugal a ocupar nesse mapa uma posição que exige reflexão própria. Esta terceira proposição é, reconhece o autor, a menos discutida na literatura e a mais original do livro: enquanto a maior parte das análises trata a União como entidade homogénea, Cerqueira mostra como o Fundo Europeu de Defesa beneficia massivamente a indústria francesa e deixa «migalhas» à portuguesa. Contra o triunfalismo declarativo, o derrotismo cínico e o federalismo voluntarista — as três tentações que recusa expressamente — o livro lembra que «a soberania não se decreta: conquista-se, exerce-se, paga-se».

A estrutura é enciclopédica e sistemática: uma introdução conceptual, quinze capítulos e uma conclusão em nove andamentos, apoiados numa bibliografia consolidada de centenas de entradas em sistema autor-data. Os capítulos 1 a 9 percorrem, vector a vector, as dependências europeias — defesa (PESCO, CARD, FED, ReArm Europe), energia (REPowerEU, o apagão ibérico de Abril de 2025), indústria e matérias-primas críticas, tecnologia digital e semicondutores, saúde, alimentação e finanças (SWIFT, euro digital, activos russos congelados). Os capítulos 10 a 13 fazem o mesmo exercício para Portugal — os três pilares UE/NATO/CPLP, as Forças Armadas e a emergência da Tekever, Sines e os cabos submarinos, o PRR e a fuga de cérebros. O capítulo 14 formula uma verdadeira doutrina nacional em oito eixos, com proposta de uma Lei de Bases da Autonomia Estratégica, calendário e indicadores; o capítulo 15 ensaia seis cenários prospectivos, da «autonomia reforçada» à «cisão atlântica» de um Trump permanente.

O diálogo intelectual é denso e explícito: as três imagens de Daniel Fiott (responsabilização, precaução, emancipação) fornecem a grelha conceptual; Howorth, Tocci, Biscop, Mölling e Lippert estruturam o debate académico; os relatórios Draghi e Letta de 2024 dão dimensão institucional ao diagnóstico; e, num gesto raro no ensaísmo estratégico português, o autor visibiliza deliberadamente a produção nacional — a revista Nação e Defesa do IDN, os estudos de Mafalda Pinheiro Alves, a EuroDefense Portugal, o IPRI e o ICS. O registo oscila, por escolha assumida de método, entre o técnico e o ensaístico: a autonomia estratégica é «simultaneamente matéria técnica e matéria cívica», e reduzi-la a uma só dimensão seria subtraí-la ao debate democrático ou ao rigor que merece.

No conjunto da obra, este é o livro-charneira do eixo europeu: retoma o diagnóstico das dependências desenvolvido nos livros geopolíticos e antecipa tanto a crítica orçamental do Mito dos 3% como o programa decenal da Esperança Lúcida. A coda literária — o regresso ao mar de Saint-Malo, que é também o mar de Sagres e dos Açores — devolve a matéria técnica à identidade marítima portuguesa e fecha com uma das frases mais citáveis do catálogo: «O livro fecha; o trabalho começa.» Entre o pessimismo dos vencidos e o optimismo dos ingénuos, Cerqueira propõe a serenidade de quem sabe o que está em jogo — e a convicção de que, para um pequeno Estado atlântico, a escolha real não é entre adesão ou recusa à autonomia europeia, mas entre uma adesão passiva e instrumental e uma adesão activa que faça de Portugal coarquitecto, à sua escala, da nova soberania continental.

Citazioni dal libro

  • «a soberania não se decreta: conquista-se, exerce-se, paga-se»

  • «simultaneamente matéria técnica e matéria cívica»

Altre espressioni citate dal libro

«palavra que veio do mar»«migalhas»«autonomia reforçada»«cisão atlântica»

Fonte: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Scheda tecnica

Genere
Saggio
Prima pubblicazione
Pagine
749 (edizione in italiano)
Formati
E-book Kindle · Libro cartaceo (copertina flessibile)
Lingue
6 — portoghese, inglese, francese, spagnolo, tedesco e italiano
ISBN
979-8189648182

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