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Copertina del libro «A Economia da Dignidade»

A Economia da Dignidade

«Contra a economia que conta pessoas, pela economia em que as pessoas contam.»

Dal libro — citazione scelta in «A Obra Comentada»
Pagine
734 pagine
ISBN
ISBN 979-8181476110
Prima pubblicazione
Formati
Kindle e copertina flessibile
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Presentazione

Descrizione dell’edizione originale, in portoghese.

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Um novo contrato para a dignidade humana
O paradoxo do nosso tempo

Nunca a humanidade foi tão rica. Nunca dispôs de tanta ciência, de tanta técnica, de tanta capacidade instalada para alimentar, curar, educar e abrigar cada um dos seus membros. E, no entanto, nunca a distância entre o que podemos e o que fazemos foi tão escandalosa, tão documentada, tão impossível de ignorar. Este livro nasce dessa ferida: a consciência de que vivemos no interior de um paradoxo que já não é apenas moral, mas estatístico, mensurável, certificado pelas instituições mais sóbrias do sistema internacional. Os números que o descrevem não pertencem a panfletos: pertencem aos relatórios do Fundo Monetário Internacional, da Organização Internacional do Trabalho, do Banco Mundial, do World Inequality Lab, dos serviços climáticos europeus. E o que eles dizem, lidos em conjunto, é de uma clareza que dispensa retórica.

Em 2025, os dez por cento mais ricos da população adulta mundial — cerca de quinhentos e sessenta milhões de pessoas — receberam cinquenta e três por cento de todo o rendimento gerado no planeta, enquanto a metade mais pobre da humanidade, perto de dois mil e oitocentos milhões de adultos, se contentou com oito por cento (Chancel et al., 2025). Na riqueza, a assimetria é ainda mais vertiginosa: os dez por cento do topo detêm aproximadamente três quartos de toda a riqueza pessoal do mundo, e a metade de baixo apenas dois por cento (Chancel et al., 2025). Há um número, porém, que condensa todos os outros e que merece ser lido devagar, como se lê um veredicto: o topo de 0,001 por cento da distribuição — menos de sessenta mil pessoas — possui três vezes mais riqueza do que toda a metade mais pobre da humanidade junta (Chancel et al., 2025). Sessenta mil pessoas de um lado; quatro mil milhões do outro. Nenhuma teoria da produtividade marginal, nenhuma fábula do mérito, nenhuma aritmética do risco empresarial consegue explicar esta proporção sem corar.

E a maré continua a subir para o mesmo lado. A riqueza dos bilionários cresceu dois biliões de dólares em 2024, três vezes mais depressa do que no ano anterior, com duzentos e quatro novos bilionários — quase quatro por semana (Oxfam International, 2025). Em 2025 voltou a acelerar: subiu mais de dezasseis por cento num único ano, atingindo o recorde de 18,3 biliões de dólares, e o número de bilionários ultrapassou os três mil pela primeira vez na história; desde 2020, a riqueza bilionária aumentou oitenta e um por cento, e hoje bastam os doze bilionários mais ricos para igualar a riqueza de mais de quatro mil milhões de seres humanos (Oxfam International, 2026). Entre 2000 e 2024, o um por cento do topo capturou quarenta e um por cento de toda a nova riqueza criada no mundo (Chancel et al., 2025). Não estamos perante um acidente de percurso de um sistema globalmente justo; estamos perante a lógica de funcionamento de um sistema que distribui por defeito para cima.

Enquanto isso, na outra margem do mesmo rio, oitocentos e oito milhões de pessoas — uma em cada dez no planeta — viviam em 2025 abaixo da linha de pobreza extrema de três dólares por dia, segundo a revisão mais recente do Banco Mundial (Banco Mundial, 2025). O progresso contra a pobreza extrema praticamente estagnou desde 2019, encalhado nas pandemias, nos conflitos e nos choques climáticos, e concentra-se de forma crescente na África Subsariana e nos Estados frágeis. Dois mil e cem milhões de trabalhadores ganham a vida na informalidade, sem direitos básicos, sem proteção social, sem segurança de rendimento; cerca de trezentos milhões trabalham e permanecem, ainda assim, em pobreza extrema (Organização Internacional do Trabalho, 2026). Trabalham — e são pobres. Esta simples justaposição de duas palavras deveria bastar para declarar falido o contrato que as tornou compatíveis...

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Lettura critica — «A Obra Comentada» (2026)

Lettura critica in terza persona, riprodotta da «A Obra Comentada», il catalogo commentato dell’opera pubblicato dall’autore stesso. Non si tratta di una recensione giornalistica.

Testo originale in portoghese.

Datado de Julho de 2026 e publicado em quatro línguas, este é o livro mais normativo do eixo — e talvez o mais pessoal na sua ambição moral. Parte de um paradoxo enunciado logo na primeira página do prefácio: «Nunca a humanidade foi tão rica» e, no entanto, nunca a distância entre o que podemos e o que fazemos foi tão escandalosa. Os números que sustentam a ferida não vêm de panfletos, mas dos relatórios do FMI, da OIT, do Banco Mundial e do World Inequality Lab: os dez por cento mais ricos recebem 53% do rendimento mundial; menos de sessenta mil pessoas — o topo de 0,001% — possuem três vezes mais riqueza do que quatro mil milhões de seres humanos. A tese central segue a bandeira do World Inequality Report: a desigualdade contemporânea «é uma escolha política, não uma fatalidade» — é arquitectura, não geologia, e o que foi desenhado pode ser redesenhado.

O livro recusa expressamente duas ilusões simétricas — a do mercado autocorrector, que quarenta anos de dados falsificaram, e a das soluções simplistas, sejam elas o proteccionismo, o decrescimento por decreto ou o homem providencial — e escolhe «o caminho mais difícil e mais fecundo: o da engenharia institucional democrática, fundada em evidência, orçamentada, faseada, avaliada». O seu núcleo propositivo é um modelo com nome próprio, o MIDSEE — Modelo Integrado de Desenvolvimento Sustentado com Equidade Estrutural —, assente em quatro pilares: trabalho digno como direito efectivo, piso de rendimento «como infra-estrutura, não como caridade», fiscalidade justa nacional e global, e sustentabilidade como condição de tudo o resto. A estrutura em cinco partes — diagnóstico, fundamentos teóricos, arquitectura do modelo, implementação e governação, e uma Parte V inteiramente dedicada a Portugal («Portugal como prova») — culmina num epílogo ensaístico de grande fôlego literário.

Os diálogos intelectuais definem o mapa da economia política contemporânea: Piketty e a crítica construtiva ao r > g; Milanović e a Grande Convergência, honestamente admitida e integrada; Sen e Nussbaum na abordagem das capacidades; Acemoglu na gramática das instituições inclusivas; Mazzucato no Estado investidor; Polanyi e a grande transformação; e, num registo mais fundo, Aristóteles (a oikonomia contra a crematística), Adam Smith relido a partir da Teoria dos Sentimentos Morais, John Donne, Genovesi e a economia civil da pubblica felicità, até à tradição portuguesa — Antero, Sophia, Camões, Pessoa. A frase-âncora do livro, repetida do prefácio ao epílogo, é uma proposição sobre a natureza relacional do bem-estar: «só se é feliz no meio de felizes». E a divisa final condensa o programa: «Contra a economia que conta pessoas, pela economia em que as pessoas contam.»

No lugar da obra, A Economia da Dignidade é o contraponto interno da Autonomia Estratégica: se aquela constrói a soberania externa, esta constrói a coesão interna sem a qual — como o próprio autor argumenta na nona tese da Esperança Lúcida — nenhuma estratégia de resiliência nacional funciona a médio prazo. O caso português, com o Gini mais baixo desde os anos noventa e a dívida abaixo dos noventa por cento do PIB, é mobilizado não como triunfo, mas como demonstração de que «a desigualdade responde à política. Onde há escolha, há margem. Onde há margem, há responsabilidade.»

Citazioni dal libro

  • «o caminho mais difícil e mais fecundo: o da engenharia institucional democrática, fundada em evidência, orçamentada, faseada, avaliada»

  • «Nunca a humanidade foi tão rica»

  • «é uma escolha política, não uma fatalidade»

  • «só se é feliz no meio de felizes»

  • «a desigualdade responde à política. Onde há escolha, há margem. Onde há margem, há responsabilidade.»

Altre espressioni citate dal libro

«como infra-estrutura, não como caridade»«Portugal como prova»

Fonte: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Scheda tecnica

Genere
Saggio
Prima pubblicazione
Pagine
734 (edizione in portoghese)
Formati
E-book Kindle · Libro cartaceo (copertina flessibile)
Lingue
5 — portoghese, inglese, francese, spagnolo e tedesco
ISBN
979-8181476110

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