
Autonomia Estratégica da União Europeia e de Portugal
2026 · 726 сторінок





How to build a new social contract for sustainable development, distributive justice, and collective hope
Comment construire un nouveau contrat social pour un développement durable, une justice distributive et un espoir collectif ?
Cómo construir un nuevo contrato social para el desarrollo sostenible, la justicia distributiva y la esperanza colectiva
Wie lässt sich ein neuer Gesellschaftsvertrag für nachhaltige Entwicklung, Verteilungsgerechtigkeit und kollektive Hoffnung aufbauen?
«Contra a economia que conta pessoas, pela economia em que as pessoas contam.»
Um novo contrato para a dignidade humana
O paradoxo do nosso tempo
Nunca a humanidade foi tão rica. Nunca dispôs de tanta ciência, de tanta técnica, de tanta capacidade instalada para alimentar, curar, educar e abrigar cada um dos seus membros. E, no entanto, nunca a distância entre o que podemos e o que fazemos foi tão escandalosa, tão documentada, tão impossível de ignorar. Este livro nasce dessa ferida: a consciência de que vivemos no interior de um paradoxo que já não é apenas moral, mas estatístico, mensurável, certificado pelas instituições mais sóbrias do sistema internacional.
— A Economia da Dignidade
Мова оригіналу: португальська.
Джерело: видавнича анотація до видання (мова: португальська; Amazon).
Анотація з оригінального видання (мова: португальська). Текст продовжує уривок, наведений вище.
Os números que o descrevem não pertencem a panfletos: pertencem aos relatórios do Fundo Monetário Internacional, da Organização Internacional do Trabalho, do Banco Mundial, do World Inequality Lab, dos serviços climáticos europeus. E o que eles dizem, lidos em conjunto, é de uma clareza que dispensa retórica.
Em 2025, os dez por cento mais ricos da população adulta mundial — cerca de quinhentos e sessenta milhões de pessoas — receberam cinquenta e três por cento de todo o rendimento gerado no planeta, enquanto a metade mais pobre da humanidade, perto de dois mil e oitocentos milhões de adultos, se contentou com oito por cento (Chancel et al., 2025). Na riqueza, a assimetria é ainda mais vertiginosa: os dez por cento do topo detêm aproximadamente três quartos de toda a riqueza pessoal do mundo, e a metade de baixo apenas dois por cento (Chancel et al., 2025). Há um número, porém, que condensa todos os outros e que merece ser lido devagar, como se lê um veredicto: o topo de 0,001 por cento da distribuição — menos de sessenta mil pessoas — possui três vezes mais riqueza do que toda a metade mais pobre da humanidade junta (Chancel et al., 2025). Sessenta mil pessoas de um lado; quatro mil milhões do outro. Nenhuma teoria da produtividade marginal, nenhuma fábula do mérito, nenhuma aritmética do risco empresarial consegue explicar esta proporção sem corar.
E a maré continua a subir para o mesmo lado. A riqueza dos bilionários cresceu dois biliões de dólares em 2024, três vezes mais depressa do que no ano anterior, com duzentos e quatro novos bilionários — quase quatro por semana (Oxfam International, 2025). Em 2025 voltou a acelerar: subiu mais de dezasseis por cento num único ano, atingindo o recorde de 18,3 biliões de dólares, e o número de bilionários ultrapassou os três mil pela primeira vez na história; desde 2020, a riqueza bilionária aumentou oitenta e um por cento, e hoje bastam os doze bilionários mais ricos para igualar a riqueza de mais de quatro mil milhões de seres humanos (Oxfam International, 2026). Entre 2000 e 2024, o um por cento do topo capturou quarenta e um por cento de toda a nova riqueza criada no mundo (Chancel et al., 2025). Não estamos perante um acidente de percurso de um sistema globalmente justo; estamos perante a lógica de funcionamento de um sistema que distribui por defeito para cima.
Enquanto isso, na outra margem do mesmo rio, oitocentos e oito milhões de pessoas — uma em cada dez no planeta — viviam em 2025 abaixo da linha de pobreza extrema de três dólares por dia, segundo a revisão mais recente do Banco Mundial (Banco Mundial, 2025). O progresso contra a pobreza extrema praticamente estagnou desde 2019, encalhado nas pandemias, nos conflitos e nos choques climáticos, e concentra-se de forma crescente na África Subsariana e nos Estados frágeis. Dois mil e cem milhões de trabalhadores ganham a vida na informalidade, sem direitos básicos, sem proteção social, sem segurança de rendimento; cerca de trezentos milhões trabalham e permanecem, ainda assim, em pobreza extrema (Organização Internacional do Trabalho, 2026). Trabalham — e são pobres. Esta simples justaposição de duas palavras deveria bastar para declarar falido o contrato que as tornou compatíveis...
Мова видання: португальська:
A Economia da Dignidade
734 сторінкиKindle і м’яка обкладинка
Мова видання: англійська:
The Economy of Dignity
723 сторінкиKindle і м’яка обкладинка
Мова видання: французька:
L’économie de la dignité
793 сторінкиKindle і м’яка обкладинка
Мова видання: іспанська:
La economía de la dignidad
772 сторінкиKindle і м’яка обкладинка
Мова видання: німецька:
Die Ökonomie der Würde
820 сторінокKindle і м’яка обкладинка
Оригінальний текст португальською.
Datado de Julho de 2026 e publicado em quatro línguas, este é o livro mais normativo do eixo — e talvez o mais pessoal na sua ambição moral. Parte de um paradoxo enunciado logo na primeira página do prefácio: «Nunca a humanidade foi tão rica» e, no entanto, nunca a distância entre o que podemos e o que fazemos foi tão escandalosa. Os números que sustentam a ferida não vêm de panfletos, mas dos relatórios do FMI, da OIT, do Banco Mundial e do World Inequality Lab: os dez por cento mais ricos recebem 53% do rendimento mundial; menos de sessenta mil pessoas — o topo de 0,001% — possuem três vezes mais riqueza do que quatro mil milhões de seres humanos. A tese central segue a bandeira do World Inequality Report: a desigualdade contemporânea «é uma escolha política, não uma fatalidade» — é arquitectura, não geologia, e o que foi desenhado pode ser redesenhado.
O livro recusa expressamente duas ilusões simétricas — a do mercado autocorrector, que quarenta anos de dados falsificaram, e a das soluções simplistas, sejam elas o proteccionismo, o decrescimento por decreto ou o homem providencial — e escolhe «o caminho mais difícil e mais fecundo: o da engenharia institucional democrática, fundada em evidência, orçamentada, faseada, avaliada». O seu núcleo propositivo é um modelo com nome próprio, o MIDSEE — Modelo Integrado de Desenvolvimento Sustentado com Equidade Estrutural —, assente em quatro pilares: trabalho digno como direito efectivo, piso de rendimento «como infra-estrutura, não como caridade», fiscalidade justa nacional e global, e sustentabilidade como condição de tudo o resto. A estrutura em cinco partes — diagnóstico, fundamentos teóricos, arquitectura do modelo, implementação e governação, e uma Parte V inteiramente dedicada a Portugal («Portugal como prova») — culmina num epílogo ensaístico de grande fôlego literário.
Os diálogos intelectuais definem o mapa da economia política contemporânea: Piketty e a crítica construtiva ao r > g; Milanović e a Grande Convergência, honestamente admitida e integrada; Sen e Nussbaum na abordagem das capacidades; Acemoglu na gramática das instituições inclusivas; Mazzucato no Estado investidor; Polanyi e a grande transformação; e, num registo mais fundo, Aristóteles (a oikonomia contra a crematística), Adam Smith relido a partir da Teoria dos Sentimentos Morais, John Donne, Genovesi e a economia civil da pubblica felicità, até à tradição portuguesa — Antero, Sophia, Camões, Pessoa. A frase-âncora do livro, repetida do prefácio ao epílogo, é uma proposição sobre a natureza relacional do bem-estar: «só se é feliz no meio de felizes». E a divisa final condensa o programa: «Contra a economia que conta pessoas, pela economia em que as pessoas contam.»
No lugar da obra, A Economia da Dignidade é o contraponto interno da Autonomia Estratégica: se aquela constrói a soberania externa, esta constrói a coesão interna sem a qual — como o próprio autor argumenta na nona tese da Esperança Lúcida — nenhuma estratégia de resiliência nacional funciona a médio prazo. O caso português, com o Gini mais baixo desde os anos noventa e a dívida abaixo dos noventa por cento do PIB, é mobilizado não como triunfo, mas como demonstração de que «a desigualdade responde à política. Onde há escolha, há margem. Onde há margem, há responsabilidade.»
«o caminho mais difícil e mais fecundo: o da engenharia institucional democrática, fundada em evidência, orçamentada, faseada, avaliada»
«Nunca a humanidade foi tão rica»
«é uma escolha política, não uma fatalidade»
«só se é feliz no meio de felizes»
«a desigualdade responde à política. Onde há escolha, há margem. Onde há margem, há responsabilidade.»
«como infra-estrutura, não como caridade»«Portugal como prova»
Джерело: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

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