Przejdź do treści

Fragment

O Tempo que Desgasta

Z Poemas Seleccionados · czerwiec 2026

No meio da noite — ou talvez já no limiar de um dia indistinto — tudo era repetição. O sol, horas antes, queimara sem piedade um horizonte vazio, onde nada se distinguia senão a ondulação lenta e hipnótica de um solo sem fim. Um território sem memória visível, sem cor, sem promessa. Ali, o tempo não passava — desgastava. Uma hora inteira podia caber dentro de si própria, sem deixar marca. E quem atravessa esses lugares aprende que há um modo do tempo que não constrói nem destrói: apenas lima, devagar, a pretensão de que estamos no centro de alguma coisa. O deserto não nos castiga. Apenas nos devolve à nossa verdadeira medida.

Nota redakcyjna

Źródło: opis wydawniczy książki na Amazonie (tekst samej książki).

Tekst przytoczony bez zmian. Tekst oryginalny w języku portugalskim.