

O Caminho Somos Nós, Том 3
Ensaio meditativo sobre a liberdade, a felicidade e a vida partilhada Terceiro volume de "O Dia em que Tudo Parou"
- Сторінок
- 444 сторінки
- ISBN
- ISBN 979-8173867087
- Перша публікація
- Формати
- Kindle і м’яка обкладинка
Уривок
Quem alguma vez viu levantar um arco de pedra sabe que ele começa por não ser de pedra. Antes das pedras vem a madeira: uma armação curva, a que os construtores chamam cimbre, erguida no vão com a forma exacta do arco que ainda não existe. É sobre esse molde provisório que se assentam, uma a uma, as aduelas, as pedras talhadas em cunha que hão-de desenhar a curva. Enquanto falta a última, a do alto, a que se chama fecho, o arco não tem força nenhuma, e cada pedra, deixada a si mesma, cairia. Depois o fecho é colocado, e acontece uma coisa que qualquer engenheiro explica em termos de compressão e que a mim continua a parecer um pequeno milagre: as pedras passam a segurar-se umas às outras.
— O Caminho Somos Nós — Том 3
Мова оригіналу: португальська.
Редакційна примітка
Джерело: видавнича анотація до видання (мова: португальська; Amazon).
Про книгу
Анотація з оригінального видання (мова: португальська). Текст продовжує уривок, наведений вище.
Retira-se então a madeira — descimbrar, diz-se no ofício — e o arco fica de pé sozinho. Sozinho não é bem a palavra. Nenhuma daquelas pedras está de pé por si. Cada uma só se aguenta porque se inclina sobre a vizinha e recebe dela o mesmo apoio que lhe dá. E o próprio peso, que tudo puxa para baixo, é aquilo que as mantém unidas.
Pensei muitas vezes nesta imagem enquanto escrevia o livro que tens nas mãos, e foi dela que nasceu quase tudo o resto. Porque um arco lançado sobre um rio é uma ponte, e uma ponte tem uma propriedade tão evidente que raramente reparamos nela: não pertence a nenhuma das margens. Está presa às duas, apoia-se nas duas, mas não é de nenhuma. Uma ponte que ficasse toda de um lado seria um cais, ou um muro, ou um desperdício de pedra. A sua razão de ser está inteira no intervalo. É talvez a única construção humana cujo sentido não se encontra em si mesma, mas naquilo que torna possível: que alguém de cá chegue a alguém de lá, que as duas metades de uma terra deixem de ser duas terras, que o que a água separava se encontre sem que a água deixe de correr. Esta terceira travessia não tem, por isso, a forma de uma subida nem a de uma chegada. Tem a forma de uma ponte. Aquilo que liga duas margens só existe entre elas. E aquilo que aqui procuramos — a felicidade, a liberdade, a consciência desperta — talvez também só exista assim.
Convém dizer de onde vimos. O primeiro livro, O Dia em que Tudo Parou, contava um despertar pela ruptura: o momento em que a vida conhecida deixa de funcionar e somos obrigados a olhar de frente o sofrimento, o medo, a impermanência, a fragilidade daquilo a que chamávamos eu. O segundo, O Caminho Continua, perguntava o que fazer depois disso, como viver em pé, dia após dia, quando já não é possível voltar a adormecer. Falou de liberdade interior e de autenticidade, do corpo e do trabalho, das relações, da alegria, do serviço, do legado e da morte. Foram dois livros sobre um caminho que se percorria sobretudo por dentro. Havia neles outras pessoas, claro, e havia compaixão, e havia gestos de cuidado. Mas o centro de gravidade estava no indivíduo que desperta, que se reconcilia consigo, que aprende a habitar a própria vida. Era necessário que assim fosse. Ninguém atravessa uma ponte antes de ter chegado à margem de onde ela parte.
Este terceiro volume nasce de uma suspeita que foi crescendo ao longo desses anos e que agora não posso calar. A suspeita é esta: que o despertar, se ficar sozinho, se estraga. Que uma paz interior guardada a sete chaves acaba por se parecer demasiado com uma fortaleza, e que dentro de uma fortaleza, por mais serena que seja, se vive cercado. É possível usar a espiritualidade para não sofrer com os outros, para não se comprometer, para não descer à praça quando a praça está em conflito. Não julgo essa tentação de fora. Conheço a calma que ela oferece, uma calma bonita e um pouco estéril, parecida com a das casas arrumadas onde já ninguém entra. Aquilo que o homem que parou vai descobrir nestas páginas é que caminhava ainda com uma imagem demasiado solitária de si mesmo. A vida feliz, livre e consciente de que os dois primeiros livros falavam não se realiza por inteiro no recolhimento.
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Мова видання: португальська:
O Caminho Somos Nós
444 сторінкиKindle і м’яка обкладинка
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Вихідні дані
- Жанр
- Есеїстика
- Вісь творчості
- Поезія, духовність і медитація
- Перша публікація
- Сторінок
- 444 (мова видання: португальська)
- Формати
- Електронна книга Kindle · Друкована книга (м’яка обкладинка)
- Мови
- 1 — португальська
- ISBN
- 979-8173867087



