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Обкладинка книги «O Dia em que Tudo Parou»

O Dia em que Tudo Parou

O Despertar do Silêncio

«que os pintores chamam ouro líquido»

З книги — цитата, дібрана в «A Obra Comentada»
Сторінок
497 сторінок
ISBN
ISBN 979-8199463720
Перша публікація
Формати
Kindle, м’яка обкладинка і тверда обкладинка

Про книгу

Анотація з оригінального видання (мова: португальська).

Não existem outros seres além de ti. Mas tu és todos eles
— Huang Po
Ensaios sobre o sofrimento, o não apego e a presença

Havia uma época em que eu acreditava que a vida tinha instruções. Que existia um manual, um guia, um mapa que poderia ser seguido para chegar a um destino chamado "felicidade". Eu era dessa espécie de pessoa --- a que planeia, a que faz listas, a que acredita que o esforço suficiente pode conquistar qualquer coisa. E funcionava, até ao ponto em que simplesmente parou de funcionar.

Lembro-me do dia com precisão de um relógio quebrado que ainda marca a hora exacta duas vezes por dia. Era um sábado de primavera. A luz entrava pelas janelas com aquela qualidade que os pintores chamam de "ouro líquido". Eu tinha conquistado aquilo que supunha que me tornaria completo: uma carreira respeitável, um apartamento agradável, relacionamentos que fingiam estar bem. E ainda assim, sentava-me nessa sala inundada de ouro e sentia um vazio tão profundo que parecia ter densidade física.

Não era depressão, exactamente. Ou talvez fosse --- mas de um tipo que os psicólogos ainda não têm nome. Era a sensação de estar a viver a vida de outra pessoa. Como se eu fosse um actor que tinha aprendido tão bem o seu papel que tinha esquecido que era um actor.

Nos meses que se seguiram, cometi o que muitos cometem: comecei a culpar externamente. Mudei de emprego. Terminei um relacionamento que deveria ter terminado há anos. Viajei. Li livros de auto-ajuda que prometiam transformação através de técnicas positivas. Tudo isso foi útil, até certo ponto. Mas era como limpar a poeira de um espelho que está rachado: não importa quão brilhante o fizesses, a rachadura permanecia.

E então, numa noite de uma insónia particularmente criativa, encontrei um vídeo num sítio improvável da internet --- um monge budista a falar sobre sofrimento. Não era nada excepcional. Não era carismático nem hipnotizante. Era apenas um homem idoso, com roupa cor de açafrão, a dizer coisas muito simples de uma forma muito clara.

Disse algo como: "Tu sofres não porque a vida é má. Tu sofres porque queres que a vida seja diferente da forma como é." Parecia absurdo. Parecia impossível. E no entanto, algo no meu corpo reconheceu isso como verdade --- não como verdade intelectual, mas como verdade que vinha de um lugar mais profundo, como a recordação de algo que sempre soubeste.

Nesse momento, comecei uma jornada que durou vários anos e que, honestamente, ainda não terminou. Viajei para Ásia. Passei meses em retiros de meditação silenciosos --- silenciosos não apenas em som, mas em toda a forma de comunicação. Li textos budistas clássicos, desde o Pali Canon até aos ensinamentos tibetanos. Estudei com monges que passaram cinquenta anos em montanhas remotas. E, mais importante ainda, comecei a aplicar estes ensinamentos na minha própria vida, de formas que eram simultaneamente triviais e radicalmente transformadoras.

O que descobri não foi o que procurava. Não encontrei uma fórmula para ser feliz. Não encontrei uma técnica para remover o sofrimento. O que descobri foi muito mais revolucionário: descobri que o caminho para a liberdade passa através do sofrimento, não à sua volta. Que a compaixão é mais importante do que a realização. Que o silêncio é mais eloqüente do que qualquer discurso. E que a vida mais plena que é possível viver não é aquela em que tudo corre bem, mas aquela em que entendes profundamente como responder àquilo que é dado.

Este livro nasce dessa jornada. Não é um livro de regras. Não é um livro que te dirá o que fazer ou como viver. É um livro de conversas --- conversas com os ensinamentos budistas de 2500 anos, conversas com as experiências do meu próprio coração, conversas com histórias de pessoas que descobriram que o sofrimento pode ser uma porta...

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Критичне прочитання — «A Obra Comentada» (2026)

Критичне прочитання від третьої особи, відтворене з «A Obra Comentada» — коментованого каталогу творчості, виданого самим автором. Це не рецензія в пресі.

Оригінальний текст португальською.

Díptico meditativo em prosa, O Dia em Que Tudo Parou é o livro-nascente deste eixo: a cena que lhe dá título — um sábado de Primavera, a luz «que os pintores chamam ouro líquido», a carreira feita, o apartamento agradável, e «um vazio tão profundo que parecia ter densidade física» — reaparece depois, citada e reescrita, em vários outros volumes. O primeiro tomo, subintitulado «Ensaios sobre o sofrimento, o não apego e a presença», narra a crise e a travessia: a noite de insónia em que um monge budista diz, num vídeo improvável, «Tu sofres não porque a vida é má. Tu sofres porque queres que a vida seja diferente da forma como é»; os retiros silenciosos na Ásia; a descoberta de que «o caminho para a liberdade passa através do sofrimento, não à sua volta». A estrutura segue as grandes noções budistas — dukkha, anicca, maitri, os Três Selos da Realidade — mas em linguagem contemporânea e confessional, com práticas de meditação no fim de cada capítulo e uma recusa explícita do género da auto-ajuda: «qualquer caminho espiritual que comece com uma mentira nunca levará a lugar nenhum». A epígrafe de Huang Po — «Não existem outros seres além de ti. Mas tu és todos eles» — e a máxima zen do dedo e da lua («que estas páginas sejam dedos úteis») marcam o tom: aponta-se, não se doutrina.

No conjunto da obra, este díptico é a pedra angular. Fornece o vocabulário (o silêncio, a presença, a impermanência), o mito pessoal (o dia da paragem) e, sobretudo, a ética: a responsabilidade como primeira escolha, a resposta contra a reacção. É impossível não ler aqui a raiz da tese XVIII do Manifesto — o estratega que aprendeu com Frankl que a última liberdade é a atitude interior é o mesmo que recusa reduzir a estratégia a cálculo. Entre os dois volumes, a passagem do ensaio à prosa poética anuncia já a deriva formal de todo o eixo: do argumento para a imagem, da tese para a soleira.

Цитати з книги

  • «um vazio tão profundo que parecia ter densidade física»

  • «Ensaios sobre o sofrimento, o não apego e a presença»

  • «o caminho para a liberdade passa através do sofrimento, não à sua volta»

  • «qualquer caminho espiritual que comece com uma mentira nunca levará a lugar nenhum»

  • «Não existem outros seres além de ti. Mas tu és todos eles»

  • «que estas páginas sejam dedos úteis»

Джерело: «A Obra Comentada» (Sintra, Julho de 2026) — comentário crítico

Вихідні дані

Жанр
Есеїстика
Перша публікація
Сторінок
497 (мова видання: португальська)
Формати
Електронна книга Kindle · Друкована книга (м’яка обкладинка) · Друкована книга (тверда обкладинка)
Мови
5 — португальська, англійська, французька, іспанська і німецька
ISBN
979-8199463720

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