


Abril de 2027Avril 2027, Osa 1
A França na Encruzilhada da União Europeia, da NATO e da Ucrânia
La France au carrefour de l’Union européenne, de l’OTAN et de l’Ukraine
- Sivumäärä
- 820 sivua
- ISBN
- ISBN 979-8171368593
- Ensimmäinen julkaisu
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- Kindle ja nidottu
- Sivumäärä
- 669 sivua
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- ISBN 979-8171377755
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Há eleições que se noticiam e há eleições que se estudam. A eleição do Presidente da República Francesa, cujas duas voltas foram fixadas para domingo, 18 de Abril, e domingo, 2 de Maio de 2027 [1], pertence à segunda categoria, e pertence-lhe por razões que nada devem ao interesse dramático da campanha. Deve-as à concentração de recursos estratégicos que o cargo em disputa comanda. O Presidente francês é, nos termos do artigo 15.º da Constituição de 4 de Outubro de 1958, chefe das forças armadas e preside aos conselhos e comités superiores da defesa nacional [2]; detém, por prática constitucional consolidada e por via do Conseil des armements nucléaires, a decisão última sobre a única força de dissuasão nuclear autónoma da União Europeia; representa o Estado que ocupa o assento permanente francês no Conselho de Segurança das Nações Unidas; e dirige a diplomacia de um país que, em 2026, transferiu 28,8 mil milhões de euros para o orçamento da União Europeia, sendo o segundo contribuinte em valor absoluto depois da Alemanha [3]. Nenhum outro escrutínio nacional europeu põe simultaneamente em jogo um veto no Conselho Europeu, uma dissuasão nuclear soberana, uma base industrial de defesa de primeira linha e uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. É esta acumulação — e não a personalidade dos candidatos — que faz de Abril de 2027 um objecto legítimo de ciência política e de estudos estratégicos.
A distinção face ao comentário jornalístico não é uma questão de dignidade, mas de função. O jornalismo político faz o dia: regista a declaração, a sondagem, o incidente de campanha, e fá-lo com uma rapidez que nenhum trabalho académico pode nem deve imitar. O tratado faz a estrutura: identifica as variáveis que persistem quando o dia passa, mede as margens de manobra jurídicas e orçamentais, e testa hipóteses contra o registo documental. As duas operações não competem; a segunda depende materialmente da primeira, como esta obra reconhece em cada uma das suas notas. Mas produzem objetos diferentes. Quando se pergunta o que aconteceria à ajuda europeia à Ucrânia sob uma presidência do Rassemblement National (RN), a resposta útil não se encontra na análise de um discurso, mas no cruzamento de quatro coisas verificáveis: o teor exacto do artigo 19.º da Constituição francesa, que sujeita a contra-assinatura do Primeiro-Ministro a generalidade dos actos presidenciais [2]; o registo nominal dos escrutínios da Assembleia Nacional, que documenta 88 abstenções do grupo RN no escrutínio n.º 3461, de 12 de Março de 2024, sobre o acordo de segurança franco-ucraniano [4], e 114 abstenções, sem um único voto a favor, no escrutínio n.º 988, de 12 de Março de 2025, sobre o reforço do apoio à Ucrânia [5]; a arquitectura de decisão dos instrumentos financeiros da União, que determina onde a unanimidade é ou não evitável; e a composição efectiva da Assembleia Nacional, que a 27 de Agosto de 2026 dava ao RN 122 deputados e à União das Direitas pela República (UDR) mais 17, num total de 139 em 577 [6]. Esta obra é, no essencial, a execução sistemática desse cruzamento.
O livro foi concebido antes do acórdão de 7 de Julho de 2026 e reescrito depois dele. A arquitectura inicial partia de um pressuposto que, à data, era o pressuposto razoável: o de que a candidata histórica do RN estava juridicamente afastada da corrida. A 31 de Março de 2025, a 11.ª câmara do tribunal correccional de Paris condenara Marine Le Pen, no processo dos assistentes parlamentares do Front National no Parlamento Europeu, a quatro anos de prisão — dois dos quais suspensos e dois efectivos em detenção domiciliária sob vigilância electrónica —, a 100 000 euros de multa e a cinco anos de inelegibilidade com execução provisória, isto é, imediatamente aplicável não obstante o recurso.....
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Un traité de science politique et de stratégie militaire concernant l'impact systémique d'une présidence du Rassemblement national. Volume II Réponse : résilience, long terme et appareil de documentation.
La quatrième partie change de registre. Les parties I à III décrivaient, expliquaient et présentaient des perspectives ; celle-ci prescrit. Prescrire impose une rigueur que le reste de l’ouvrage n’exigeait pas : chaque recommandation doit mentionner l’instrument juridique précis, le fondement juridique qui la sous-tend, l’acteur compétent pour l’adopter, le délai réaliste de sa mise en œuvre et l’obstacle qu’elle est susceptible de rencontrer. Une recommandation qui ne remplit pas ces cinq conditions n’est pas une recommandation, mais un avis, et les avis ne résistent pas à l’examen du Conseil. Ce chapitre applique cette règle sans exception et indique, dans chaque cas, ce qui existe déjà en droit positif et ce qui constitue la proposition de l’auteur , en signalant expressément cette seconde catégorie chaque fois qu’elle apparaît.
Il convient de préciser l'objet. Par « protection » , nous entendons ici, dans la continuité du principe de « protection contre le veto » défini au paragraphe 1.4, la propriété d'un instrument dont l'interruption requiert plus qu'un simple vote négatif d'un État membre. La définition est volontairement modeste : elle ne prétend pas que l'instrument est invulnérable, mais seulement que son interruption a un coût pour la coalition. La protection est mesurée par trois critères cumulatifs, qui seront appliqués à chaque instrument énuméré au paragraphe 12.1. Le premier critère est la règle de décision : unanimité, majorité qualifiée, procédure législative ordinaire ou absence de règle – car un acte déjà adopté et exécuté ne requiert aucune règle de décision. Le second critère est l'exposition temporelle : la date du prochain acte que l'instrument impose, car un instrument dont le prochain renouvellement intervient en juillet 2027 est exposé, contrairement à un instrument dont le prochain acte requis intervient en décembre 2029. La troisième est la réversibilité : la question de savoir si l'annulation nécessite la même règle que la création — auquel cas l'unanimité, loin d'être simplement un obstacle, est aussi une protection, un point qui sera développé au § 12.2.6 et qui traverse toute la partie IV.
L’ampleur des enjeux doit être soulignée avant toute classification. L’Union et ses États membres ont mobilisé, via le budget de l’Union, environ 107 milliards d’euros pour l’Ukraine ; en ajoutant le soutien militaire, l’accueil des réfugiés et les recettes provenant des avoirs russes immobilisés, le total atteint 220,3 milliards d’euros [1]. Le Service européen pour l’action extérieure, avec des données au 1er juillet 2026, chiffre le soutien militaire de l’Union et des États membres à 77 milliards d’euros [2]. Par ailleurs, le budget ukrainien pour 2026 prévoyait un besoin de financement extérieur d’environ 49,3 milliards de dollars, soit 43 % des dépenses totales, et le Centre d’études orientales de Varsovie estimait, le 17 décembre 2025, un déficit de financement de 60,8 milliards de dollars pour l’exercice biennal 2026-2027 [3]. Le 22 août 2026, selon un article de presse dont la fiabilité est jugée inférieure à celle des sources institutionnelles, le déficit budgétaire non couvert pour 2026 dépassait 36 milliards de dollars, Kiev n'ayant reçu que moins de 13 milliards sur les 49 attendus, et la demande pour 2027 s'élevait à environ 52 milliards [4]. Les flux militaires européens se sont stabilisés, selon les données de l'Institut de Kiel publiées le 8 août 2026, à un peu plus de 2 milliards d'euros par mois, soit environ 500 millions de moins que la moyenne des années précédentes, en raison de l'arrêt des contributions américaines .
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