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Quando o Poder Vacila

A Rússia de Putin, a guerra da Ucrânia e o risco de escalada nuclear

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ISBN 979-8188963644
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A 23 de Julho de 2026, dois dias antes de este livro fechar, a Agência Internacional da Energia Atómica publicou mais um comunicado sobre a situação nuclear na Ucrânia. Tinha o número 359.[1] O texto é breve, técnico e desprovido de adjectivos, como todos os anteriores: descreve o estado das ligações eléctricas, a rotação da equipa de peritos, os sons de actividade militar ouvidos pelos observadores. Não é um documento dramático. É um documento contabilístico.

Foi o número que me deteve.

— Quando o Poder Vacila

Tekst oryginalny w języku: portugalski.

Nota redakcyjna

Źródło: opis wydawniczy wydania w języku: portugalski (Amazon).

O książce

Opis z wydania oryginalnego, w języku: portugalski. Tekst stanowi ciąg dalszy przytoczonego fragmentu.

Trezentos e cinquenta e nove comunicados numerados sobre uma única situação, produzidos por uma agência técnica das Nações Unidas ao longo de quatro anos e quatro meses, para dar conta de uma central nuclear de seis reactores que está simultaneamente em território ocupado, numa linha da frente activa e dependente de linhas eléctricas externas que são repetidamente cortadas. Nenhum desses comunicados anuncia uma catástrofe. Todos, somados, descrevem uma. O que a numeração regista não é um acontecimento: é a normalização de um estado de coisas que, em qualquer momento anterior a 2022, teria sido considerado inaceitável por toda a comunidade internacional, incluindo pelos Estados que hoje o sustentam. Habituámo-nos. A série continua. Amanhã haverá o 360.

Este livro nasceu de uma pergunta que se formulou a partir dessa espécie de constatação e que demorou três anos a ganhar forma. A pergunta é a seguinte: por que razão um poder que está a perder tende a ameaçar mais, e não menos?

Demorou a ganhar forma porque a primeira formulação que dela fiz era errada. Durante muito tempo julguei estar a escrever sobre a probabilidade de emprego de uma arma nuclear táctica no teatro ucraniano, e passei meses a tentar avaliar essa probabilidade a partir de doutrina declarada, de movimentação de meios e de precedentes históricos. Foi um caminho estéril, e foi estéril por uma razão que só compreendi tarde: a probabilidade de emprego não é conhecível, não é calculável e depende de decisões que ainda não foram tomadas por pessoas que ainda não enfrentaram as circunstâncias em que as tomarão. Todo o esforço aplicado a essa pergunta é esforço desperdiçado. A pergunta produtiva é anterior e diferente — não «quando é que uma potência nuclear usa a arma?», mas «que condições fazem descer o custo de a ameaçar?». Essa pergunta tem resposta documental, porque as condições são medíveis: um orçamento, uma linha de crédito, uma taxa de recrutamento, uma série de exportações, um texto doutrinário revisto, uma inspecção que deixou de se realizar.

A intuição corrente diz o contrário. Supomos que a força produz agressividade e que a fraqueza produz moderação; que um Estado cuja economia se degrada, cujo exército não avança e cujas alianças se estreitam procurará, por cálculo elementar de sobrevivência, reduzir a exposição e negociar. É o que a teoria dos jogos sugeriria a um actor racional com informação completa. Não é o que a história política mostra, e não é o que a Rússia tem feito. Entre 2022 e 2026, à medida que a base material do poder russo se estreitava — reservas líquidas consumidas, base fiscal dependente de rendas energéticas em queda, capital fixo por substituir, mão de obra drenada pela frente e pela emigração, dependência de um único fornecedor de componentes críticos —, o repertório de sinalização nuclear tornou-se mais frequente, mais explícito e mais institucionalizado. A doutrina foi revista e alargada. Armas foram destacadas para o território de um Estado vizinho. Um sistema novo foi anunciado e empregue, com carga convencional, para produzir um efeito declaradamente político. O último tratado de limitação estratégica caducou sem substituto e sem que ninguém tenha assinado coisa alguma no seu lugar. Nada disto é comportamento de um poder confiante.

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Dane książki

Gatunek
Esej
Oś twórczości
Strategia i geopolityka
Pierwsze wydanie
Liczba stron
666 (wydanie w języku: portugalski)
Formaty
E-book Kindle · Książka drukowana (miękka oprawa)
Języki
10 — portugalski, angielski, francuski, hiszpański, niemiecki, włoski, arabski, chiński tradycyjny, hindi i ukraiński
ISBN
979-8188963644

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